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Dom, Set

O assunto ideologia de gênero foi destaque nesta terça-feira (3) no programa Cidade Partida, do canal Brasil. A psicóloga cristã Marisa Lobo debateu o tema ao lado de José Junior, Elis Erlanger, Elisa Lucinda, e da advogada transexual Giovana Cambrone.

“Nós temos que tocar no assunto sem promover e sem induzir ao preconceito. Não é para tratar legalmente em escolas municipais, estaduais. Pode haver toda confusão. A maioria das pessoas não concordam com isso. Nós vivemos em uma democracia, nós temos que respeitar as pessoas”, disse a psicóloga ao explicar sobre o ensino da ideologia de gênero para crianças.

Ao longo do debate foi mencionado sobre a “disforia de gênero”, que é quando um indivíduo não se sente feliz dentro do corpo que possui e com isso o faz identificar com o sexo oposto. Segundo a psicóloga isso existe. Mas esses casos devem passar pelo comitê para identificar se a criança está confusa ou se realmente tem a disforia de gênero.

“Esse comitê de disforia de gênero existe justamente para descobrir se realmente a criança tem uma disforia de gênero ou se ela só está confusa. Então a gente não tem que dizer o que ela é ou não é. É preciso deixar a criança desenvolver. E se não for promovido, aquela disforia pode não ser desenvolvida”, esclareceu.

A psicóloga se diz contra a promoção do assunto nas escolas. “As escolas não são os espaços para este tipo de debate. Crianças e adolescentes podem ficar confusos”, disse a psicóloga que é evangélica.

 

 

Referência no assunto família, o pastor Jaime Kemp dedicou sua vida para oferecer diretrizes e orientações bíblicas ao núcleo mais importante da sociedade.

O fervor do missionário americano, Jaime Kemp, no Brasil desde 1968, por esse tema é tão grande, que em 1984 fundou o Lar Cristão, uma organização sem fins lucrativos. Ele e a esposa, Judith Kemp, dirigem o ministério e têm mais de 40 livros publicados, além de realizarem seminário, conferências e palestras sobre família e vida do casal. Na entrevista ele destaca o valor mais importante para a vida a dois, o exemplo que o casal deve significar para os filhos, separação e romantismo.

O senhor tem um casamento de 43 anos com a Judith. Quais são os fatores que sustentam o casamento de vocês?

Compromisso é uma das coisas principais. Saber que é uma promessa até o final. Porque nossos compromissos de casamento são às vezes bem fraquinhos, ou muitas vezes nós não compreendemos o compromisso do amor. Agora, minha esposa diz que um casamento é bem-sucedido quando tem duas pessoas que sabem perdoar. Então, é importante reconhecer que nós somos pecadores, e que vamos, algumas vezes, “pisar na bola”, e teremos tanto que pedir perdão quanto perdoar. Além disso, eu diria mais uma coisa, entre tantas, que é a questão do tempo. Acho que nós precisamos cuidar da nossa agenda, porque casamento exige cultivo, e às vezes o casal corre pra lá e pra cá, tem faculdade, vários compromissos, ou então vem o filho e eles estão trabalhando fora, não têm muito tempo à noite, e é um problema. Então, é muito importante a gente ajustar a nossa agenda para alcançar e usar o tempo para cultivar o relacionamento.

O que de maneira geral dificulta tanto os relacionamentos modernos?

Há muitas coisas. Por exemplo: a mídia. Constantemente, novelas e filmes falam de relacionamentos extraconjugais, de relacionamentos sem fidelidade. De vez em quando tem algum filme que fala da fidelidade do homem em relação à sua mulher, ele passa traumas, passa dificuldades com ela, mas fica firme com ela. Mas na maior parte das vezes são filmes e novelas em que sempre tem uma terceira pessoa. Então, a mídia é uma forte fonte de separações, e de influência na cabeça do nosso povo. Além disso, como já falei, a importância de reconhecer que amor é para ser cultivado, e para aprofundar precisa de tempo, de passeios, de férias, de momentos juntos. É fundamental isto.

De que forma o pensamento “se não der certo, eu me separo” influi no andamento da relação conjugal?

Quando Judith e eu nos casamos, tomamos a decisão de que as palavras divórcio ou separação não estariam no nosso vocabulário. Quando vierem problemas, dificuldades, tragédias (e eles vêm!), nós nos apresentaremos diante de Deus, que é o arquiteto do lar, e nEle vamos procurar a solução – que não é fugir, não é arrumar outra mulher ou outro homem, nem simplesmente deixar de casar de novo e só se casar com a sua profissão ou carreira. É importante compreender o compromisso e manter-se firme nesse compromisso.

O senhor escreveu um livro que fala sobre romance. Para o senhor, o que é romance? Como ser romântico e de que forma expressar isso?

Romance é chegar em casa e ter um jantar preparado pela esposa com a comida que ele mais gosta e à luz de velas, música romântica tocando, as crianças na casa da sogra, dando um castigo nela, e o homem chegar em casa com três rosas e um bilhete: Gatinha, eu te amo muito. Romance é levar a esposa para jantar fora à luz de velas, é levar chocolate para ela, é arrumar e perfumar a cama, são coisas que nós fazemos que demonstram que somos românticos, porque o medo é que o casamento se torne chato se nós não tomamos algumas atitudes diariamente. Eu penso que todo homem deve fazer algo especial, diferente, não necessariamente grande, para que a esposa saiba que é amada, que é especial, que tem valor. O romantismo é que mantém a chama acesa, sem deixar o amor esfriar e o relacionamento tornar-se chato. E o tempo não limita isso, de forma alguma.

Quando os filhos chegam, quais as maiores mudanças que acontecem num casamento e como “sobreviver” a elas? 

É saudável para os filhos saberem que papai é apaixonado pela mamãe e mamãe está louca pelo papai. Todas as vezes que eu chegava com uma rosa ou outra coisa especial para a minha esposa, queria que minhas filhas estivessem perto para ver que papai e mamãe se amam e não são apenas duas pessoas convivendo e sobrevivendo sob o mesmo teto. Os filhos têm que saber que existe amor entre os pais. Claro que isso não quer dizer que não vá haver alguma discussão, algum conflito de opiniões, porque isso acontece, mas é indispensável cultivar o amor e fazer os filhos participarem disso. Então, há muito que deve ser comunicado e aprendido no laboratório que é a vida em família, a convivência no lar.

Às vezes a educação infantil provoca discórdias entre os cônjuges. De quem é o papel de educar uma criança? E como fazer com que essas diferenças não influenciem negativamente na educação?

Por isso eu falo muito sobre curso pré-nupcial, porque no curso quando chega no assunto de criação, educação e disciplina de filhos, nós vamos conversar a luz da palavra de Deus. O que Deus fala sobre isso? Vamos discutir para que haja a concordância antes do casamento sobre qual é a filosofia de Deus de como se criar filhos. A palavra de Deus é muito clara sobre isso. Agora esse é um problema que deve ser resolvido muito antes de se chegar ao casamento. Se não concordamos, ou não vamos ter filhos ou não vamos casar. Se a mãe fala ‘não pode’ e a criança vai para o pai e ele diz ‘sim, pode’, o pai está passando por cima da autoridade da mãe. Então é necessário conversar antes para poder ver o que ficou decidido e para não violar a autoridade um do outro.

E depois, quando os filhos já estão crescidos e partem para as suas próprias vidas. Como o casal pode sobreviver a síndrome do ninho vazio?

Eu vou contar a história dos meus pais. Eles sempre tiveram problemas conjugais e o que aconteceu, vieram os filhos e os filhos tomaram todo o tempo deles. Porque os pais não tinham um bom relacionamento, eles se doaram totalmente à vida dos filhos. Quando o último filho estava fora do ninho, então os meus pais não tinham mais nada a conversar, não tinha mais filho e eles se divorciaram. Muitos casais esquecem que antes de chegar os filhos, já eram um casal, depois que os filhos saem, permanece o casal. Então a prioridade no relacionamento conjugal e familiar, não são os filhos. A prioridade é manter o relacionamento bonito durante todos os anos. Isso vai ser um modelo para os filhos, um exemplo para os filhos que daqui a pouco vão casar.

O senhor acredita que se deva usar o princípio do uso da varinha para a correção de crianças, conforme está em Provérbios 23:13: “Não retires a disciplina da criança; pois se a fustigares com a vara, nem por isso morrerá”?

O problema é que estamos vivendo em dias terríveis. Até no Congresso Nacional eles estão querendo proibir os pais por causa de excessos, abusos e espancamentos. Quando eu falo sobre a vara, não estou falando de abuso, de espancamentos e descarregar a raiva sobre a criança, nada disso. Nosso ensino é bíblico. A vara é permeada pelo amor, pela comunicação, pela tranqüilidade. Jamais pai e mãe devem castigar, porque a disciplina tem o propósito de criar caráter na vida da criança. Eu falo também que tem crianças que não precisam do uso da vara. Apenas uma palavra de persuasão é necessária. A vara é usada para crianças rebeldes, desobedientes e teimosas que insistem no erro.

Existem diferenças na forma de conduzir a educação da criança quando uma mãe (ou pai) educa sozinho? Qual a maior dificuldade de criar o filho sem o cônjuge?

Em 89% dos casos, a mãe fica com a responsabilidade pela criança. Agora, veja o problema, na grande maioria dos casos o homem não paga a pensão. E aí o que acontece, ela vai ter que trabalhar fora, provavelmente a casa onde moravam será desfeita e ela vai voltar para a casa dos pais. Os pais que já criaram seus filhos, querem ter sua vida, querem viajar e o que acontece, vai ter uma discussão uma divergência em relação a criação. A vovó vai ter que criar os netos porque a mamãe está trabalhando oito horas por dia. Não é sempre assim, mas muitas vezes acontece isso pois a mãe não têm condições de se manter com o seu salário. E isso cria muitas dificuldades na criação dos filhos.

E que conselhos o senhor dá para essas pessoas?

Se a mãe tem dinheiro, ela compra uma casa, ela pode ter uma empregada que cuide dos filhos, que leve para a escola, que faz a comida, e a noite ela vai ser mamãe e papai. Vai ter que ser os dois. É claro que o juiz dá uma semana sim e uma semana não para cada um dos pais ou o fim de semana alterando. E isso é outro problema porque o homem quer se relacionar com os filhos e o que ele faz, leva as crianças no parque, leva em lugares gostosos, leva para comer fora, compra coisas para a criança e a criança volta no domingo a noite estragada! E a mãe tem que lavar a roupa, cuidar da tarefa da escola e ainda tem que lidar com uma criança que foi mimada no final de semana!

Eu queria que o senhor ajudasse essa mãe e esse pai que estão passando por isso agora…. Como depois de descasado o pai e a mãe podem colaborar um com o outro?

O pai não vai colaborar muito porque, no mês, vai estar com os filhos duas ou três vezes e ele não vai poder fazer muita coisa. Então ele precisa colocar para as crianças princípios de Deus mesmo que tenha se separado, que não esteja mais com sua mulher. A mãe pode arrumar amigas com quem ela possa desabafar, chorar e orar. A igreja precisa providenciar, por exemplo, uma sociedade de mães solteiras ou mães separadas para providenciar fomentos juntos, para conversas e comunhão e dar apoio de como criar filhos sem maridos, sem o pai.

Quando se fala em conselhos matrimoniais a primeira coisa que me vem à mente é a conhecida frase: “Roupa suja se lava em casa”. O problema é que este conselho vem sendo seguido por cada vez menos pessoas na “Era Facebook”.
A ânsia por expor tudo que acontece em nossas vidas está nos conduzindo a divulgar coisas que não deveriam ser mostradas, inclusive dentro de relacionamentos. As coisas chegam ao cúmulo de cônjuges enviarem “indiretas” via redes sociais.
Relacionamentos devem ser tratados olho no olho. Não devem utilizar nenhuma intermediação tecnológica para tal fim. Mentir cara a cara não é tão fácil como mentir via WhatsApp, se fazer de ingênuo ou de vítima, também não.
Nossas expressões sempre denunciam o que realmente queremos dizer. E quem mais no conhece neste momento são nossos parceiros.
Uma das coisas que você aprende fazendo “Casados para Sempre” (ótimo curso da Universidade da Família) é que o casamento é feito por duas pessoas e elas sempre tem partes em qualquer problema que venha a existir no relacionamento.
Quando vemos alguém querendo culpar seu cônjuge por seu relacionamento não ter dado certo, você sabe que existe incoerência. Ao culpar o outro pelos erros do casamento, você está dizendo que fez tudo certo e seu parceiro tudo errado.
Essa é uma prática recorrente nas separações. O engraçado é que um sempre culpa o outro. Ou seja, os dois tem partes de culpa na questão.
Tudo isso fica mais complicado quando você junta problemas conjugais com redes sociais. Sua voz pode ser projetada enquanto a voz do seu cônjuge não, e aí, como se faz julgamento de dois sem ouvir um?
As pessoas não querem (ou não deveriam) saber de sua vida privada com seu esposo(a). Se há problemas, trate-os internamente. Procure ajuda de pessoas capacitadas e de sua família, mas não exponha tais coisas. Haverá sempre mais escândalo do que edificação (se é que pode existir edificação).

Sem dúvidas a família faz parte das prioridades de Deus no tocante ao cuidado que ele desprende quando enfatiza desde o gênesis a importância da mesma (Gn 2; 24). Podemos observar na Bíblia que apenas duas instituições foram criadas pessoalmente pelo próprio Deus, a igreja e a família, e se focarmos nossa atenção entenderemos que a primeira esta diretamente ligada a segunda, pois se nossas famílias não se encontram dentro padrão determinado por Deus para sua existência, de forma nenhuma a igreja estará em bom estado.
Deus explicitando o seu desejo para a construção de uma família firme que suportaria os diversos obstáculos que não só o âmbito espiritual, mas também material e secular trariam, documenta, por exemplo, a história de um homem que tem por desafio agregar sua família dentro de um projeto dado por Deus que garantiria sua sobrevivência em meio ao caos vindouro, é o caso do patriarca Noé.
Diferentemente do que imaginamos quando lemos essa e outras narrativas bíblicas, Noé era um homem que possuía as mesmas inclinações ao erro e ao pecado que nós, tinha as mesmas dificuldades de convivência em grupo e com um agravante, apesar de sua “longa vida” Noé não era mais tão jovem quanto seus filhos e suas noras, então além de lidar com suas próprias limitações, ele encararia o desafio de ter que adequar sua linguagem e comportamento ao ritmo de cada integrante de sua família. Além disso, a complexidade do projeto que Deus havia lhe dado convergia para a piora da situação.
Noé também não poderia focar-se apenas na execução na construção da arca, pois fazendo isso negligenciaria alguns aspectos cruciais que garantem o bom convívio em família. Outro fator que dificultaria ainda mais a situação do patriarca seria o fato de que, apesar de está implícito que a obra demoraria e que Deus respeitaria esse tempo, o Criador não determina um prazo para iniciar o diluvio, então Noé teria que trabalhar contra o tempo.
Diante de todas essas afirmações e situações, torna-se realmente difícil perceber ou vislumbrar qualquer possível sucesso que Noé poderia vir a ter sem nos perguntarmos qual seria a solução para que ele executasse o projeto de Deus sem falhar em gerenciar e cuidar também de sua família, mas ao estudarmos a luz da revelação do Espírito Santo poderemos perceber que Noé, convida sua família a de forma irrestrita abraçar junto com ele essa empreitada.
Para que uma família possa sobreviver aos encargos da vida, dificuldades de nosso século e outros problemas que a cada dia surgem com o fim de nos tirar do plano de Deus, é imprescindivelmente essencial que vivamos uma vida de total entrega e devoção ao SENHOR, para que alcancemos como Noé o sucesso de termos uma família feliz e envolvida com Deus e sua obra, e atinjamos a consolidação de uma igreja forte.
O grande desafio de nossas famílias tem sido a abdicação de nossa satisfação ou da realização daquilo que nós individualmente achamos bom para o grupo, e a enorme cratera da falta de comunicação que a cada dia só aumenta dentro de nossos lares.
Devemos refletir sobre o que nossas famílias significam para nós, e de quanto tempo temos desprendido interesse em elevar nossos lares no conhecimento de Deus, pois vemos que Noé e sua casa foram salvos, pois ele achou graça aos olhos do Criador sendo homem justo e integro entre seus contemporâneos (Gn 6;9), um homem que andava com Deus, que conhecia o Senhor e o amava, prezava pela retidão e justiça, coisas que ao lermos a bíblia vemos que fazem parte dos atributos do próprio YAHWEH.
Enquanto não elevarmos nossos lares ao um vínculo estreito com Deus, de maneira que reflitamos o caráter do Altíssimo em nossa vida, jamais conseguiremos atingir a convivência em um lar onde a presença pacífica de Cristo atua de forma direta. Como podemos servir em espírito e verdade a um Deus amoroso e justo se não sabemos quem Ele é, e qual é o desejo dele para nossa família? Para que isso seja possível devemos observar os conceitos que abraçamos atualmente, pois vivemos em uma sociedade que se farta e se limita apenas a aquisição material ou bem-estar promovido através disso.
Que aboliu completamente o conceito histórico e bíblico de família, para viver uma ilusão onde nem através dela se está satisfeito. Não podemos deixar que esses pensamentos e atitudes invadam a igreja ferindo assim a intenção de Deus para a família. Noé e seu lar obtiveram sucesso, pois cada integrante da família se desligou de suas próprias vontades, desejos, e sonhos para servirem a um propósito maior, que exigia a integração e interação plena de todos.
Que possamos também fazer o mesmo, abrir mão do nosso “eu” para que prevaleça o “nós”, pois sem isso de forma alguma chegaremos à satisfação de Deus em nossa família e atingiremos a plena felicidade.
Para que tenhamos o mesmo ou maior sucesso que Noé, devemos estar dispostos a fazer o mesmo ou mais que ele.

Vivemos em tempos assombrosos. A “família” é constantemente atacada, constantemente afrontada. Vemos pais matando, humilhando, massacrando seus filhos, e infelizmente a recíproca é verdadeira. Neste mundo corrompido pelo pecado, infelizmente nos deparamos com famílias cristãs despreparadas, sem fundamento sólido, sem base.
Já não se reúne mais os filhos ao redor da mesa para a realização de um culto doméstico, por exemplo. De modo trágico, até os momentos de refeição já são realizados de forma quase que solitária. Corroborando com isto, o avanço tecnológico, somado ao seu péssimo uso, serviu para aproximar os distantes, porém distanciando os que eram próximos.
Vemos pais que não se aproximam de seus filhos, não acompanham seu dia a dia escolar, não investigam os círculos de amizade, as conversas, os jogos. Os pais, em sua grande maioria, abriram mão da educação de seus filhos, lançando-os ao vento.

Pai, mãe, você sabe o que seu filho tem aprendido na escola? Sabe se ele sofre ou pratica o bullying? Conhece os professores dele?
Vemos uma geração de pais que deseja um futuro espetacular e abençoado para seus filhos – mas que não participa deste processo de aprendizagem! Os genitores, guardiões, detentores do cuidado e zelo pela vida, educação e alma de suas crianças tornaram-se como que apáticos, “dando de ombros” para aquilo que estas aprendem nas escolas. Em um momento tão terrível para a educação brasileira, que enfrenta constantemente assaltos advindos das mais diversas ideologias e pensamentos, os “guardiões da moral” calam-se perante o massacre que acontece nas salas de aula.
Cada criança e adolescente de hoje é o pastor, o educador, o “cristão exemplo” de amanhã. Agora, formamos o caráter de vários de nossos pequenos irmãos, também chamados por Cristo à obra. Este é um alerta à Igreja, naturalmente, mas de modo especial aos pais: vocês são os responsáveis diretos pelo futuro de seus filhos. Se no Ensino Médio seu filho desviar-se dos caminhos do Senhor por culpa de uma ideologia qualquer, acreditando que ninguém nasce “homem” ou “mulher”, mas que estes conceitos são definidos e escolhidos pelo indivíduo, é porque provavelmente você não lutou contra a ideologia de gênero quando sua criança estava no Ensino Fundamental. Estes ataques são sutis, e devem ser observados com cautela.
Como por exemplo, há de se citar um filme antigo, chamado no Brasil de “Babe, o porquinho atrapalhado”. Em termos gerais, a longa metragem conta a história de um porco que sonhava em ser um cão, com o objetivo de ajudar no pastoreio das ovelhas. Ao final do filme, Babe alcança seu objetivo, desenvolvendo as atividades deste canino, mesmo sendo um suíno. Em outras palavras, alguém que “venceu as barreiras da biologia e conseguiu transformar-se no que queria”. É esse tipo de informação que seu filho provavelmente recebe diaria e continuamente.
Em contrapartida, pela Graça de Deus, temos também alguns pais mais responsáveis, que participam de forma ativa na criação de seus filhos. Entretanto, confesso que muito me preocupo com estes também, pois alguns realizam este tão importante processo de uma maneira extremamente equivocada. Dizem, de forma constante, que pretendem criar seus filhos “para o mundo”, “para que sejam bons profissionais” ou “boas pessoas”. Para que tenham um “com caráter”.
É aqui que desejo dar início à explicação do porquê o versículo trinta e um, do capítulo primeiro e da primeira carta de Paulo aos de Corinto ser o texto base para este sermão. Paulo escreve este verso em questão num contexto muito diferente do que vivemos atualmente. Tensionando abordar a questão da “liberdade cristã”, o apóstolo utiliza de exemplos voltados à alimentação e bebida, concluindo sua linha geral de pensamento afirmando que tudo deve ser feito para glória de Deus. Quanta riqueza nesta tão simples expressão!
Quando, analisando o texto em sua linguagem original, o grego, vemos que o significado destas palavras é mais profundo que em nossa língua materna. Paulo está afirmando que o “foco”, o “alvo”, o “topo” de todo Cristão deve ser “honrar”, “exaltar”, “adorar” a Deus em todos os momentos.
Com isto, deixo a seguinte pergunta: o que é, então, criar um filho para a glória de Deus? Pois bem, vamos às respostas.

Saiba que a criança é mais filha de Deus que de você
Observando a vida de Abraão, o patriarca, notamos o quão firme era esta verdade em seu ser. Foi pai de Isaque quando já em idade avançada, tendo sonhado com esta promessa de Deus por todo o tempo em que peregrinou na terra. Quando cumprida, o Senhor então requer de Abraão a criança. O próprio Deus, ao requerer tal sacrifício do patriarca, afirma o quão apegado Abraão era a seu herdeiro.
“E aconteceu depois destas coisas, que provou Deus a Abraão, e disse-lhe: Abraão! E ele disse: Eis-me aqui. E disse: Toma agora o teu filho, o teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de Moriá, e oferece-o ali em holocausto sobre uma das montanhas, que eu te direi”. Gn 22.1-2
Os filhos são herança do Senhor (Sl 127.3), como que presentes do Soberano a quem tornar-se-á pai ou mãe, mas devem ser criados de modo a glorificar a Deus em primeiro lugar. Gostamos de citar que o primeiro mandamento com promessa é o de honrar os pais (Ex 20.12), porém é necessário ter em mente que há outro mandamento acima deste, que por Cristo foi dito como o maior de todos (Mt 22.36-38), e que os genitores precisam constantemente trazer à mente: amar ao Senhor de todo o coração, de toda alma e de todo pensamento.
Os filhos devem ser criados para servir a Deus, glorificando ao Santo nome do Senhor, honrando, então, o nome de seus pais ao fazê-lo.

Seja o exemplo de seu filho
Há algum tempo encontrei um artigo sobre o porquê de o autor não ler mais a bíblia em casa através de aparelhos eletrônicos, e sim utilizando-se do “livro”. Naturalmente, não apontou que é pecado fazê-lo, mas um dos argumentos utilizados – e entenda, foi algo pessoal do autor em questão e que partilho como linha de pensamento – é que seus filho o veriam lendo as Sagradas Escrituras. Este ponto, acima de todos os outros elencados, foi o que me saltou aos olhos: um pai, pastor, escritor e pregador, abrindo mão de um “conforto tecnológico” para dar exemplo aos filhos.
Há um velho ditado que afirma que uma atitude vale mais que mil sermões. Ao observarmos a Bíblia, vemos que isso é verdade. Cristo, enquanto aqui caminhou, ensinou a seus discípulos através de inúmeros sermões, porém deixou também sua Doutrina gravada através de seus passos. Quando no momento de ensinar a seus seguidores como orar, Jesus lhes dá um exemplo de oração (Mt 6.9).
Quanto a isto, cito até mesmo meu exemplo. Quando pequeno, após dar início à caminhada na fé cristã, a ideia de ler a Bíblia ou de orar sequer passavam por minha cabeça. Minha mãe, de forma zelosa e muito preocupada, tentava a todo custo me estimular para fazê-lo. Quanto mais ela insistia, menos eu me aproximava da Palavra. Dado momento, notei que ela parou de insistir, e apenas sentava-se no sofá da sala e por horas debruçava-se nas Escrituras. Este exemplo dela, esta devoção, foi despertando em mim o desejo de me parecer com o que ela havia se tornado após este hábito diário: uma pessoa mais calma, prudente, separada, desenvolvendo o fruto do Espírito.

Crie seu filho nos caminhos do Senhor
Sim, soa muito óbvio isso, mas existe um número absurdo de pais que não entendem o “chamado discipulador” que recebem quando no nascimento de uma criança. Criar a criança nos caminhos do Senhor vai muito além de apenas levá-la aos cultos e entregá-la às “tias dos cultinhos infantis”. É investir no “crescimento espiritual” de seu filho. É saber incentivá-lo na busca, procura, anseio pelo Criador e seus estatutos. É pregar, em seu coração, as Leis de Deus. No passado, disse Moisés ao povo:
“E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração; E as ensinarás a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te e levantando-te”. Dt 6.6-7
Crie seu filho para que ele não seja apenas um “pregador” ou “cantor”, mas sim um verdadeiro cristão em todos os momentos
Pode parecer contraditório ao que exposto no início deste sermão, mas capacite seu filho através de estudos, aulas e demais meios de ensino – isso, os dito “seculares” – para que ele tenha uma sólida formação profissional, e que através de sua futura atividade laboral ele venha a glorificar ao Senhor. Prestamos a Deus um culto rico quando ele é constante e saudável, sob os termos bíblicos, e não apenas nos dias de reunião na igreja. Que seu filho não minta quando fizer algo errado e for repreendido pelo supervisor. Que ele não esconda a nota baixa de você, por medo de uma severa correção. Ser “cristão” é ser como Cristo.
Por fim, e nesta conclusão é que apresento o quinto ponto, e creio que seja um dos mais importantes, ame seu filho. Você tem o dever de cuidar dele, ensiná-lo nos caminhos em que deve andar, então cumpra este dever para com o Senhor de forma amorosa, como convém a pais verdadeiramente cristãos.

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