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Seg, Mar

Jesus disse que ninguém pode entrar no reino dos céus se não se tornar como uma criança. A imagem que surge na mente dos adultos, quando ouvem esta afirmação de Jesus, é a da pureza infantil, da inocência, da dependência – virtudes que poucos adultos desejam. Assim, a conclusão lógica a que qualquer um chegaria é que poucos deles entrarão no reino dos céus.


A infância, para muitos adultos, é apenas uma lembrança – boa para uns, ruim para outros. É raro encontrar um adulto que demonstre interesse, por menor que seja, em ser como uma criança. Os poucos que o demonstram, o fazem por razões românticas, não reais. O interesse do adulto pela inocência ou pureza quase sempre é confuso e infantilizado. É também raro encontrar um adulto que, de fato, queira ser dependente. Pode até querer se convencer de suas limitações, mas dificilmente abrirá mão do controle de seu destino. Ao tomar uma criança como exemplo daqueles que entrarão no reino dos céus, Jesus não tem em mente as imaginações românticas que nós, adultos, temos da infância. Mesmo por que o reino dos céus não será herdado por adultos infantilizados. Maturidade e crescimento são evidências esperadas na vida daqueles que seguem a Cristo.


Ao tomar uma criança como exemplo, Jesus nos ajuda a corrigir uma compreensão equivocada que temos da virtude da humildade. Os discípulos discutiam entre si qual deles seria o maior no reino dos céus – conversa típica de adulto. No meio desta discussão, Jesus toma uma criança e diz que quem se humilhar como ela – este, sim – será o maior no reino dos céus. Tornar-se criança não é transformar-se em um adulto infantilizado; é aprender o significado da humildade, sem a qual ninguém entrará no reino dos céus.


Tornar-se como criança é reconhecer a condição de filho e de filha. Ser humilde como uma criança é reconhecer-se como criatura. A natureza humana frequentemente inverte esta relação. O prazer mais natural de uma criança é agradar seus pais. Humildade é agradar aquele (ou aqueles) a quem amamos. Não se trata de uma virtude que se conquista com atitudes modestas ou com a negação de elogios. Ela se desenvolve na medida em que cresce em nós a consciência de quem somos diante do Criador. É curioso notar como a fronteira entre a humildade e o orgulho é estreita. Ser elogiado por ter feito algo bom nunca foi um pecado.


É legítimo o prazer que sentimos ao agradar alguém a quem amamos. O prazer maior de qualquer cristão será ouvir a voz do Salvador dizer: “Muito bem, servo bom e fiel…” um elogio que nos encherá de prazer por termos agradado aquele a quem mais amamos. Porém, o elogio pode se transformar em uma fonte de prazer em si mesmo. Neste caso, não se procura agradar a pessoa amada, mas sentir-se valorizado e importante. O polo é invertido: é a criatura assumindo o lugar do Criador. É neste ponto que o adulto deixa de ser criança e torna-se infantil. Tornar-se criança significa reconhecer a condição de criatura e saber que nada nos alegra mais do que agradar o Criador.


É por isso que Jesus nos ensina a entrar no quarto, fechar a porta, para aprender a orar. Orar em público, faz da oração facilmente um fim. Ouvir elogios dos outros nos faz sentir que somos “bons na oração”, enquanto que orar secretamente no quarto nos leva a experimentar a recompensa que vem de Deus. Aprendemos a orar por causa dele e não por nossa causa. Desejamos agradá-lo e não a nós. Somente os humildes entrarão no reino dos céus. A verdadeira fé não é fazer grandes coisas em nome de Deus, mas viver de forma a agradá-lo. Não é isto que os pais esperam de uma criança? Tornar-se criança é viver liberto da tirania da vaidade, da busca insana pela autorrealização, da necessidade infantil de ser admirado e reconhecido. Tornar-se criança é experimentar a alegria de viver para aquele que nos criou e agradá-lo.


::Ricardo Barbosa de Sousa

Leio muitos artigos sobre o sofrimento das mães na gravidez, no parto, no pós parto, na amamentação e muitas outras coisas. Esse sofrimento não se compara com a alegria de ter o filho, mas é inegável que ser mãe é uma mistura de alegria e sofrimento. O que ninguém fala muito é o sofrimento do pai.


Hoje caiu sobre mim uma daquelas tarefas que sempre cabe ao pai, o de abaixar o berço. Confesso que pensei que seria moleza, afinal de contas é só pegar uma chave de fenda, tirar tudo do berço, abaixar o estrado e colocar tudo de volta. Mas não foi tão simples assim, não pelo serviço braçal, mas pela reflexão que o pai faz ao exercer essas pequenas funções. Descer o berço é subir a grade, é a tentativa de guardar com segurança por alguns meses a mais o seu filho pequeno dentro do lugar seguro, descer o berço é admitir que o tempo está passando muito mais rápido do que o pai gostaria e que seu pequeno não é tão pequeno mais, descer o berço é reconhecer que a cada dia o filho dependerá menos de nós, descer o berço é desapegar da segurança calculada e se apegar a fé de que a cada dia que passa teremos que confiar mais em Deus, pois essa segurança se diluirá na mão do pai e só resta orar para Deus proteger.


Ver o filho crescendo, para mim que sou pai, é doloroso pois cada dia que passa mais o meu controle como pai diminui, e mais dependo do controle do outro Pai. E como eu queria passar logo para o meu filho a importância de amar e estar perto do outro Pai, como passar de um colo para o outro.


Mas esse tipo de amor não se herda, é muito mais na vivência do dia a dia, nos pequenos gestos de oração antes de dormir ou comer, nas musiquinhas de gratidão que cantamos e ensinamos, nas histórias lindas que contamos da bíblia e, principalmente em passar por esses marcos, como descer o berço, confiando que o verdadeiro Pai está no controle.


Poucos falam sobre o sofrimento que temos nessas pequenas tarefas. Deve ser porque gostamos de fingir para as mamães que somos fortes e inabaláveis, mas tarefas como segurar o filho na vacina, descer o berço, trocar a cadeirinha do carro por uma maior, guardar o tapetinho de brincar porque o filho não precisa mais, dói e dói muito.


Talvez esse relato se perca com muitos outros sobre o grande sofrimento das novas mamães, e talvez seja bom assim mesmo, pois vamos continuar fingindo que somos inabaláveis e que o super homem estará sempre aqui para quando a mamãe e os filhos precisarem.


::Marcos Botelho – Ultimato

Há uma equipe global no ministério da IFES (International Fellowship of Evangelical Students, a comunidade mundial à qual a ABU no Brasil é filiada) responsável nos últimos anos em trabalhar para o fortalecimento do que chamamos “Compromisso com as Escrituras”. Essa equipe (cinco pessoas: da Alemanha, Malásia, EUA, Gana e o servidor que lhes escreve aqui do Brasil) preparou um breve recurso para ajudar os movimentos estudantis de todo o mundo a pensar alguns aspectos da relação com a Palavra e avaliar como manejam as Escrituras em sua vida e missão. O resultado foi o livro “A Palavra em nosso meio”, que cultiva uma visão clara da importância das Escrituras em tudo o que somos e fazemos.


Em palavras simples, renova um compromisso com as Escrituras que implique em amar, estudar, viver e compartilhar a Palavra de Deus. Compartilhamos aqui alguns aspectos fundamentais para refletir sobre o impacto da Palavra de Deus no nosso meio. Trata-se brevemente de seis áreas mencionadas no livro que julgamos ser importantes nesses processos de avaliação e reconsideração, caso necessário, do nosso manejo da Palavra.


1. Aprofundar nossas convicções sobre a natureza e o propósito das Escrituras
A resposta sobre a pergunta “qual é a natureza e o propósito das Escrituras?” muitas vezes determinará como nos relacionamos com a Palavra. Se cremos que nela há autoridade para as situações de nosso cotidiano e se reconhecemos que por meio dela nos encontramos com a pessoa de Jesus Cristo, então nossa atitude será diferente. Abrir a Bíblia será como entrar em uma sala acolhedora para sentar-nos com aquele que amorosamente transforma a nossa vida.

2. Cultivar uma atitude de amor, expectativa e obediência à Palavra de Deus
Mais importante que métodos é a nossa atitude diante da Palavra. Não como um livro de regras, não como eco de nossos pensamentos (uma tentação para os religiosos), não como um manual de respostas fáceis para todos os nossos problemas. Nossa atitude deve ter mais daquele profundo amor pelo Salvador que cresce por meio da Palavra, que nos faz abrir nosso coração, nossa vida, para que sejamos obedientes àquele que é Senhor.

3. Modelar um estilo de vida de compromisso com as Escrituras
O que descobrimos na Palavra, sabemos aterrissá-lo, tanto em um nível pessoal como comunitário? Precisamos sempre revisar juntos como é nossa relação com Deus pela Palavra. É preciso cuidar também para que haja um interesse em responder à Palavra, em, pelo menos, tentar viver essas verdades, pessoalmente e também em comunidade.

4. Confiar no impacto da Palavra de Deus na evangelização
Poucas coisas são mais especiais do que ver alguém conhecer a Jesus por meio das Escrituras. Não porque outro lhe convenceu, mas porque descobriu por si próprio essa vida abundante no Cristo revelado pela Palavra. Claro, é preciso um ambiente seguro, um espaço para perguntas honestas, um acolhimento das dúvidas sinceras, das opiniões e questões que buscam a verdade. Precisamos ser mais criativos e dispostos a abrir esses ambientes e espaços onde se deem esses encontros.

5. Alimentar boas práticas no compromisso com as Escrituras
Há que saber conectar-se com coração e mente, há que saber interpretar de maneira adequada, contextual, pertinente, que seja fiel tanto às Escrituras como ciente do contexto onde a Palavra é lida, entendida e obedecida. Para isso é legítimo perguntar como estamos nos capacitando e também como estamos fomentando os bons modelos e práticas em nosso meio. Assim, revisar o que for preciso e encorajar o que deve continuar se aprofundando.

6. Enfrentar biblicamente os desafios de nosso mundo
Se a Bíblia é Palavra de Deus, e se Deus é o Criador, Redentor e Senhor de todo o universo, então é claro que Sua Palavra traz implicações para tudo na vida, para cada esfera da ação e da vida humana no mundo. Quando participamos das conversas que ocorrem em nosso redor, devemos estar atentos para escutar bem, e para saber conectar, construir as pontes entre as Escrituras e cada aspecto da vida humana. Não é o caso de crer em respostas superficiais e simplistas, mas o de entender que a própria Palavra de Deus trará novas perguntas a agendas que se discutem hoje em dia.


Em cada uma dessas seis áreas, a busca das respostas e das conexões adequadas sempre será melhor se for levada adiante com humildade, na dependência do Espírito e em processos comunitários. Devo me permitir ser surpreendido e desafiado pelas Escrituras. Nada de só querer que elas me digam o que eu já queria ouvir. Só assim a Palavra pode tornar-se viva e eficaz para provocar em nós e em nosso entorno as transformações que vêm diretamente da agenda de Deus para nós e para o mundo.

:: Ultimato

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