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Seg, Mar

Educação
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Se você não entende o amor abnegado, devotado sem merecimento, de Deus, e portanto de Cristo, para conosco, certamente quando tiver um filho o entenderá. Ainda que exista uma infinita distância entre um e outro, há certa semelhança.
Se você já tem filho, e ainda assim não entende, observe melhor sua relação com sua cria, avalie o quanto você se doa – se não o faz, passe a fazê-lo agora -, sem esperar nada em troca, sem esperar alguma atitude de igual tamanho em retorno. Deus não precisa de nós, e nós, em certa medida, não precisamos dos nossos filhos. Viveríamos sem eles, como vivemos antes deles. Comemos e bebemos antes, comeríamos e beberíamos depois.
Não são como o ar, para nós, pelo menos não física e biologicamente, mas acabam sendo, filosoficamente.
Afinal, eles vieram de nós, como nós viemos de Deus. Não importa por qual nome nos chamem — se Pai, Papai, Fulano ou Beltrano. Como não se importa Deus, como o chamam — de Pai, Paizinho (têm quem chame assim), Jeová, Deus, God, Lord, Senhor, Criador ou outros nomes que não podem ser traduzidos para nossa língua. Ainda assim, é nosso pai, como somos de nossos filhos, e viemos Dele. Mesmo sem precisar de nós, nos ama, como amamos aqueles pedaços de gente que aumentam de tamanho a cada estação.
Mas, se não precisamos, técnica e friamente, dos nossos filhos, e se Deus, este sim, de forma alguma, precisa de nós, alegramo-nos, como Deus se alegra, quando sorriem para nós. Quando se sentem mais protegidos pela nossa simples presença. Quando, depois de um dia difícil, nos fazem lembrar porque nos submetemos a tais dificuldades – trabalho, estudo, trabalho e mais estudo. Só que, com Deus, acentua-se ainda mais a doação, pois a contrapartida é bem menor. Praticamente inexistente. Deus não tem “dia difícil”. Sentimo-nos protegidos pela sua presença, sim, mas não há sorriso nosso que o recompense por isso, como mereceria. Aliás, nem posso usar o verbo “merecer” nessa questão. O que se pode fazer, e pouco se faz, é cumprir aquilo que se estipulou como fim principal da Humanidade, em relação ao seu Criador. Algo que, levado a cabo, cria um saboroso anacronismo.
Ame a Deus como se ama um filho, apesar dele Pai. Ame-o sem esperar que o ame, mesmo já sabendo que o ama. Ame-o de forma abnegada, como se não precisasse dele para existir, ainda que precise. Ame-o, e adore-o, sem esperar nada em troca. Como não espera de seu filho, porque, apesar daqueles sorrisos e beijos que te cobrem no final do dia, e tão bem fazem, você o ama antes e batalha por ele antes, sem esperar recompensa. Faça o mesmo com Deus, seu Pai, criador da terra e do ar, em que você habita e respira, sem esperar por um sorriso sequer. Se, no fim dos dias, e não do dia, ele sorrir para você, ótimo. Se não sorrir, ótimo também. Afinal, ele já havia sorrido para você no começo dos seus dias, privilegiando-o com o dom da vida, o que já é um presente e tanto.

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