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Dom, Jan

Liderança
Fontes

Além dos propósitos originais de transporte e proteção dos produtos, as embalagens também servem para torná-los mais atraentes ou, se possível, irresistíveis. O problema é que, muitas vezes, elas também são utilizadas para enganar o cliente, prometendo e anunciando muito mais do que a realidade pode oferecer.


Uma embalagem linda, colorida e de boa qualidade pode esconder um produto feio, ruim e inútil. Uma grande caixa opaca pode conter pequena quantidade de produto. Invólucros transparentes resolveriam esse tipo de problema, mas poderiam também reduzir as vendas. Tal seria o efeito da sinceridade extrema.


Pior ainda é a embalagem vazia ou contendo algo diferente do que foi encomendado e pago. É o que acontece com algumas compras virtuais. Recentemente, um consumidor pagou por um notebook e recebeu uma caixa com tijolos.


O ser humano é muito iludido pelo que vê. Certamente, não vamos desvalorizar a beleza, mas ela não deve ser o fator determinante para as nossas escolhas.


No caso das pessoas, aparência, educação, eloquência e riqueza funcionam como embalagens, e tudo isso tem o seu valor, mas o conteúdo, bom ou mau, está no caráter.


Por isso, podem ocorrer enganos na escolha de amigos, namorados, representantes políticos, líderes espirituais etc.


A Bíblia nos ensina o caminho da fé na busca do invisível, de modo que não sejamos dependentes de fatores externos que poderiam nos enganar. Por isso, está escrito: “Não farás para ti imagem de escultura” (Ex 20). A espiritualidade não deve ser influenciada ou definida pela beleza das artes.


Sobre o Messias, está escrito: “Olhando nós para ele, nenhuma beleza víamos para que o desejássemos” (Is 53). O propósito de Jesus não era uma conquista baseada em valores superficiais.
Ele mesmo disse: “O Reino de Deus não vem com visível aparência” (Mt 17.20). “Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas, interiormente, são lobos devoradores. Pelos seus frutos os conhecereis” (Mt 7.15-16). Não se precipite em suas conclusões. Espere que o fruto mostre a natureza da árvore.


É importante que não nos enganemos com as embalagens alheias, mas, sobretudo, não podemos nos enganar com as nossas próprias embalagens.


Como disse Tiago: “Sede cumpridores da palavra, e não somente ouvintes, enganando-vos com falsos discursos… Se alguém entre vós cuida ser religioso, e não refreia a sua língua, antes engana o seu coração, a religião desse é vã” (Tg 1.22,26).


Quanto às mulheres, está escrito: “O enfeite delas não seja o exterior, no frisado dos cabelos, no uso de jóias de ouro, na compostura dos vestidos; mas no coração; no incorruptível traje de um espírito manso e quieto, que é precioso diante de Deus” (1 Pedro 3.3-4).


O Tabernáculo de Moisés tinha um aspecto exterior belo, porém modesto, com madeira, tecidos e peles de animais. Entretanto, quem entrasse nele encontraria várias peças de ouro puro. Nós também, como templos de Deus, precisamos investir mais nos valores interiores, sendo cheios da Palavra de Deus e do Espírito Santo (Cl 3.16; Ef 5.18).


Esta reflexão pode nos deixar em dúvida a respeito das pessoas, inclusive sobre nós mesmos. O que será que existe no meu coração? Estarei fingindo ser o que não sou? Posso estar enganado acerca dos meus líderes, parentes e amigos?


Nem todas as pessoas são fingidas. Muitas assumem claramente o que são. Seu conteúdo está à mostra. Para as que querem enganar, inclusive no caso do auto-engano, existe o dia da revelação, a hora de “desembrulhar o presente”.


É o que acontece nas tentações, crises, conflitos, perseguições e perdas. O que está no coração vem à tona. As máscaras caem e cada um revela sua verdadeira identidade. Momentos assim são ideais para conhecermos bem as pessoas.


Nenhum de nós é totalmente puro e incapaz de pecar. O próprio Davi, que estava aparentemente bem diante de Deus e dos homens, sucumbiu no dia da tentação. Depois, arrependido, ele pediu a Deus: “Cria em mim um coração puro e um espírito reto” (Sl 51). Ele sabia que precisava ser purificado profundamente, muito além das aparências. Nós também precisamos, pois o Senhor vê além dos rótulos e das embalagens. Além das ações e palavras, Ele contempla nossos pensamentos, sentimentos e intenções. Oremos como o salmista que disse: “Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração. Prova-me e conhece os meus pensamentos. Vê se há em mim algum caminho mau e guia-me pelo caminho eterno” (Salmo 139.23-24).


:: Pr. Anísio Renato de Andrade

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