19
Sáb, Ago

Creio que boa parte dos cristãos já ouviu pelo menos 1 vez a história das irmãs Marta e Maria contada em Lucas 10.38-42.Resumindo o conto, Marta e Maria são 2 irmãs muito queridas por Jesus e o recebem como visita em sua casa. Durante a visita, Marta se preocupa com o papel de anfitriã da casa enquanto sua irmã Maria resolve sentar-se com Jesus e desfrutar de sua presença ali. Marta então se estressa e repreende a irmã por deixa-la na mão enquanto ela preparava uns quitutes para servir Jesus, então Jesus diz a Marta para aquietar o coração e que na verdade Maria estava fazendo a coisa certa dando atenção exclusiva para ele naquele momento.
De diversas pregações que já ouvi sobre esse texto, Marta é duramente rotulada como uma pessoa ansiosa e que se preocupou mais em servir Jesus do que sentar com ele e exalta Maria como a super crente das galáxias. Eu não discordo dessa visão, porém acrescento algo que há alguns anos tem me incomodado e me desafiado essencialmente.
Eu não sei você, mas eu luto diariamente contra a Síndrome de Marta que nada mais é que achar que Deus vai se agradar mais das minhas ações do que meu simples estar com Ele. Eu sou uma ativista por natureza e por anos vivi num ritmo workaholic de Jesus freneticamente no piloto automático servindo a igreja diariamente.
Amo a Deus de todo meu coração desde que me conheço por gente e isso só aumentou quando me reencontrei com Ele e minha vida começou a ser totalmente transformada, porém durante bons anos eu não sabia viver no equilíbrio de serva e filha de Deus. Eu participava de todos os ministérios possíveis, praticamente morava na igreja – minha mãe costumava dizer que só faltava eu levar o colchão para lá. Isso era de todo mal?
Não e creio que boa parte dos novos convertidos faz isso – você está tão apaixonado por Jesus e animado com a vida nova igreja que servir acaba sendo algo prazeroso e garanto que Deus se alegra disso e entende seu processo. O problema é quando começamos a mascarar nosso ser através de atividades, analisar os outros como bons ou maus crentes devido a sua performance ou exposição ministerial e simplesmente entrarmos em um piloto automático assim como Marta e começarmos a fazer coisas para Deus, mas não em Deus. Algo como colocar a cultura da igreja acima da presença de Deus – não estar sensível alterar algo durante o culto se Deus mandar ou simplesmente achar que o culto foi feito para me abastecer durante a próxima semana sendo que na verdade o objetivo do mesmo é refletir tudo que fomos e fizemos durante a semana anterior – culto somente reflete o coração daquela igreja local e assim somos capazes de medir se aquela comunidade tem realmente um coração em Cristo ou está mais focada em sua agenda, rituais e formatos de servir a Deus.
Não tenho dúvidas de que Marta amava a Jesus tanto quanto Maria, porém infelizmente ela estava focada em agradá-lo com um ritual de homens e a ansiedade que esse tipo de rotina trazia ao seu coração não a permitia relaxar e usufruir da presença de Jesus quando ele estava ali em sua frente.
A fé sem obras é morta, ou seja, devem andar de mãos dadas, lado a lado e não como concorrentes. Marta naquele momento achou que sua obra era superior a fé de Maria e ainda reclamou para Jesus sobre isso – qualquer semelhança a competições ministeriais que temos dentro das igrejas hoje é mera coincidência. Ministério de ação social se acha mais espiritual do que o de louvor por exemplo e assim vai. Medimos nossas obras e ainda as justificamos com versículos bíblicos para provar quem é o mais crente ou melhor funcionário do mês para mostrar que merece ganhar uma estrelinha dourada na testa de preferência com um elogio do líder para todos verem quão bom somos.
Tratamos Deus e nossos líderes como nossos chefes e como crianças na pré escola imploramos por atenção e parâmetros para avaliar nosso desempenho eclesiástico. Participamos de infinitas reuniões, preparativos e discussões doutrinárias e teológicas sem fim sendo que a melhor parte já temos: a doce presença de Jesus a nosso dispor para ser desfrutada.
Do fundo do coração desejo a cada leitor um despertar para a busca desse equilíbrio entre ser e fazer e que a paz de Deus seja sempre árbitro em nossos corações.

O autocontrole, conhecido na tradução mais popular como domínio próprio, é um modo de vida no qual, pelo poder do Espírito Santo, o cristão é capaz de ser equilibrado em tudo, não tendo sua conduta dominada por seus desejos. O exercício do autocontrole deve abranger todos os aspectos de uma vida colocada sob o domínio do Espírito Santo.
O princípio do autocontrole não se trata apenas de se abster de certas práticas “mundanas” como brigas, bebedice e o uso constante de palavrões, mas de ter uma vida caracterizada pela disciplina. A palavra vem do grego cuja raiz significa “pegar”, “segurar”, designa uma pessoa que segura a si mesma, que se mantém no pleno controle de si mesmo.
São Paulo afirma que “todo atleta em tudo se domina” quando está treinando. Quando alguém se prepara para uma competição, tudo é regrado: comida, hábitos, sono e exercícios. O autocontrole é uma atitude essencial para o cristão, para TODO cristão, é uma característica que todos devem ter. Sem o autocontrole nosso testemunho perde sua eficiência e deixamos de ter o respeito das pessoas.


A falta de autocontrole destrói projetos importantes
Constantemente acompanhamos casos de pessoas muito competentes, mas que sucumbiram devido à falta de domínio próprio. A cobiça e a extravagância é uma das grandes tentações para quem lida com o dinheiro. Outros são seduzidos por tentações sexuais que destroem a família e a reputação.
Ninguém e está imune à tentação, especialmente quando ocupamos posição de evidência, seja profissionalmente ou na vida ministerial. O que precisamos é estar conscientes é que as áreas em que temos mais probabilidades de perder o autocontrole são aquelas em que somo mais fortes, ou achamos que somos. O excesso de confiança pode ser nosso maior inimigo.

O autocontrole conquista a confiança das pessoas
As pessoas querem se relacionar com pessoas em que possam confiar. Todos querem estar com alguém cujo exemplo seja digno. Ninguém que estar próximo de uma pessoa intempestiva, imprudente nas palavras e ações.
Ter um caráter forte é algo pessoal, que exige cultivo. O autocontrole ajuda a desenvolver um caráter forte e confiável.

Como desenvolver e exercitar o autocontrole
O autocontrole não surge, simplesmente, deve ser cuidadosamente desenvolvido e cultivado. O exercício do autocontrole deve ser feito sob a dependência de Deus. Devemos nos espelhar em Cristo, pois Ele nos transformou em nova criatura. Pertencendo a Ele, podemos buscar dele orientação e esperar seu auxílio. Podemos desenvolver e exercitar o autocontrole através da dependência de Deus.
Também devemos aprender a ter uma vida disciplinada, em todas as áreas. Alguém disciplinado nas pequenas coisas também o é nas grandes, enquanto os que são indisciplinados em um aspecto da vida, o são em muitos outros. Em tempos de auto-satisfação a disciplina tem sido negligenciada.

Dominando nosso gênio
Ao exercer o autocontrole temos que aprender a receber toda espécie de ofensas e tratamento rude sem revidar. Quando somos vítimas de difamação ou ofensas, sejam justas ou injustas, se revidarmos da mesma forma, estaremos nos rebaixando para o nível dela. Estaremos permitindo que nos domine. O autocontrole nos permite exercer domínio sobre situações que podem nos tirar o foco. Uma palavra lançada não pode voltar atrás, mesmo com um pedido de desculpas o que foi dito já causa consequências naturais.
O domínio do Espírito Santo possibilita o autocontrole que Deus exige de nós e que precisamos em nossa vida. O domínio do Espírito Santo e a falta de autocontrole são incompatíveis. O Espírito Santo produz no coração submisso uma disposição, uma força, uma mentalidade que tornam possível o autocontrole que de outra maneira seria impossível.

Conclusão
O autocontrole produz liberdade, quando dominamos o egocentrismo e o medo. Produz confiança, alegria e estabilidade. O autocontrole vem a ser um dos mais importantes princípios da nossa personalidade.

Não se apresse a responder de que se pode pregar a bíblia toda em sua igreja, vai com calma! Digo que depende da confissão de fé da comunidade em questão; vai depender do “veio litúrgico”; deve-se considerar ainda a espiritualidade local (crença na atualidade dos dons espirituais ou não), de modo que são muitas as variáveis para uma única resposta. O fato é que o ambiente doutrinário, cúltico e espiritual influenciam o que será exposto como mensagem de Deus – e posto isso, afirmo que teremos dificuldades em apresentar os ensinos da bíblia em abordagem mais abrangente.
Os arautos do Evangelho precisam considerar de que para pregarem a completa Palavra do Senhor – não podem ser influenciados e dirigidos por sistemas teológicos ou qualquer ordem litúrgica, pois a entrega da completa mensagem bíblica requer primeiramente, compromisso com o Senhor da Igreja e não com os sistemas de crenças ou desejos da congregação.
Infelizmente, na maioria das vezes os expoentes não apresentam a Palavra em sua extensão e profundidade necessárias – o que fazem é repetir de forma bem elaborada e didática a sistemática doutrinal da denominação ou corresponder às expectativas e sentimentos de quem os ouve. Numa primeira análise, essa pregação pública que a “igreja” faz em seus cultos – é uma pregação controlada.
A autoridade da pregação é condicionada neste caso, à “interpretação autorizada” que a denominação fornece a seus pregadores. E assim, se você faz parte de uma igreja tradicional e pregar sobre a atualidade do batismo com o Espírito Santo tendo como evidência física inicial, o falar em línguas – você terá grandes problemas em sua igreja local. Ou quem sabe, se você frequenta igrejas pentecostais clássicas e começar a ensinar sobre eleição e predestinação a lá monergismo – você será repreendido em breve (mesmo que a bíblia exponha todos os assuntos que citei neste parágrafo – sem o teologizado denominacional – você não pode pregá-los livremente nos quadrantes institucionais).
“Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça” 2 Tm 3:16
É preciso esclarecer que a denominação carece de um credo doutrinário básico, necessita de um organizado bíblico-teológico para firmar suas crenças e valores e estabelecer uma cosmovisão dita cristã para seus adeptos. Acredito que não temos problemas quanto a essa compreensão institucional e da razão das denominações cristãs. A questão é que as denominações cristãs foram constituídas, exatamente por acreditarem terem alcançado do Divino Senhor ou por algum acurado exame escriturístico – a detenção máxima e absoluta da verdade – que fora entregue aos líderes daquele grupo de fiéis.
Meus irmãos, nenhuma denominação evangélica por mais conservadora e zelosa que seja – detém a expressão plena do Evangelho – isso é fato; e graças a Deus por isso, pois se não o fosse, teríamos uma vida eterna de rotulados! Por melhores e bem abalizadas que sejam nossas crenças, elas sempre se baseiam em alguma interpretação que está institucionalizada ou que será brevemente sacramentada por algum grupo religioso. Sair dessa dependência interpretativa não é para todo mundo das denominações cristãs – pois para tal, você precisa conhecer bem a Palavra do Senhor; e essa é a parte das águas profundas – de adentrar milhares de côvados nas infindáveis revelações de Deus registradas em Sua Palavra. É preciso cuidado para não achar que estou propondo novas revelações – estou dizendo que na bíblia encontramos cada dia mais da revelação de Deus aos homens, e isso nos basta!
Bom, quando qualquer grupo local de crentes chega ao ponto da compreensão de que são a “ilha da verdade” e que essa se firma na institucional, homilética e doutrinária fala da denominação exclusivamente, acabaram de reprimir que se pregue a bíblia por completo naquele círculo religioso. A denominação é necessária num país livre, é importante como a representação oficial de um grupo de pessoas que acreditam nas mesmas coisas – mas não pode restringir pregações e ensinos que estão claros na Palavra de Deus – simplesmente por conta de seus dogmas, concílios e convenções. A denominação precisa representar os fiéis, mas jamais institucionalizar a fé dos mesmos, impondo-lhes limites de crer, retardando-lhes a capacidade de pensar da nova mente cristã ou reprimindo-lhes o crescimento na graça e no conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo.
“Pregue a palavra, esteja preparado a tempo e fora de tempo, repreenda, corrija, exorte com toda a paciência e doutrina” 2 Tm 4:2
Respondendo a pergunta inicial: Do ponto de vista cristão e principalmente protestante, sim pode ser pregado sobre tudo o que está na bíblia nas igrejas cristãs. A questão é se a denominação deixa e se os crentes locais concordam. A falha de muitos ensinadores e pregadores é exatamente essa: pregam somente o que a instituição permite ou aquilo que os crentes aprovam e gostam. Se realmente cumprirmos o que alardeamos aos quatro cantos de que a bíblia é o nosso manual de fé e prática cristãs – precisamos ensinar e pregar toda a bíblia, mexa com que mexer.
As verdades claras da Bíblia precisam ser ditas a um rebanho indisciplinado e a pastores omissos e relapsos com a casa de Deus. As turmas dos irreverentes e profanadores do templo precisam ser chamados à atenção pela Palavra que estabelece o perfil dos adoradores e o ambiente coletivo adequado da adoração. O carente de qualquer coisa precisa ser advertido de que a relação com Deus não é a base de troca, mas de dependência. O fervoroso menino precisa aprender que o culto não é pra ele, é pra Deus e para a edificação dos outros.
Digo isso, não para causarmos confusão por onde ministramos, ou para lançar tropeços e inimizades entre os irmãos e lideranças, de forma alguma. O que eu escrevi é que tem muita gente fazendo uso da Palavra de Deus, mas com mordaças institucionais – mesmo estando convicto pelas Escrituras de que há muito mais para o povo. Em alguns lugares a denominação paga pra você repetir a fala da própria denominação – sim, exatamente isso que você acabou de ler. Os pregadores e ensinadores das denonimações, ministram apenas para fazerem agenda e ampliar contatos ministeriais; ou para cair na graça do povo, vender Dvds, livros e produtos de “seu ministério”. Em alguns rebanhos (bem rebeldes por sinal) a mensagem é encomendada e os mensageiros se vendem por ofertas gordas – apenas para falar o que a “igreja deixa” ou entregar o que o povo gosta.
Bom o recado você já recebeu, daqui para frente é com você, Deus e a igreja que você prega ou frequenta.

As dificuldades existem, todos nós sofremos pressões e problemas que podem nos levar a desistir. Uma das coisas mais comuns é o desânimo após qualquer fracasso, seja um simples atraso ou a falha em um projeto importante. A vida é um desafio constante e a pressão vem de todos os lados. .Todo aquele que é vocacionado sabe o que é superar cada obstáculo que se apresenta pelo caminho. Mas se Deus nos deu algo, algum propósito, precisamos persistir para superar as dificuldades.
Precisamos do poder da persistência, a maioria das pessoas em determinado momento se pergunta se não deveria desistir. É quando esses momentos nos atingem que devemos renovar o poder dada persistência. Aplicando o princípio da persistência os problemas e dificuldades podem ser superados, por meio da perseverança.
Para dominar esse princípio ninguém precisa de instrução, encanto pessoal nem amigos influentes. Tudo o que é preciso é determinação. A determinação leva à persistência, que é a essência da perseverança. Nenhum obstáculo pode para alguém determinado, quem é determinado persiste pois é perseverante. A persistência é a qualidade que quem é perseverante.
O poder da persistência é essencial para superarmos os problemas. Com o poder da persistência podemos vencer enfermidades, desejos pessoais, limitações financeiras, os perigos da prosperidade, a oposição familiar, traições e perseguições e inúmeras outras dificuldades.
O poder da persistência garante o sucesso quando enfrentamos o desencorajamento ou forças contrárias aos nossos projetos e sonhos. É a capacidade de nunca desistir, mesmo que tudo digo o contrário. Se é nosso sonho que está em jogo, devemos persistir.
Policarpo, bispo da cidade de Esmirna, exerceu enorme liderança nos primórdios da Igreja. Por volta de seus oitenta anos viajou à Roma, onde haviam milhares de vidas se convertendo a Cristo. Quando regressou à Ásia se deparou com uma enorme perseguição às igrejas asiáticas. Os romanos sequestraram onze cristãos, a maioria da cidade de Filadélfia, e os mataram durante uma festa em Esmirna.
O martírio causou um espetáculo a acendeu o apetite sanguinário entre os pagãos, então houve um clamor pela vida de Policarpo. Policarpo se refugiou em um lugar afastado, mas foi traído.. Ele foi preso e tentaram força-lo a “insultar a Cristo”, com a promessa de que, se negasse ao Mestre, seria liberto.
Daí surge a memorável expressão que atravessa os séculos de testemunho cristão: “Oitenta e seis anos eu o servi, e ele nunca fez nada de errado para mim, como posso falar mal do meu Rei que me salvou?”
Tais palavras só serviram para intensificar a fúria da multidão, que clamava que um leão fosse lançado contra ele. Em vez disso foram ajuntados lenha e gravetos e fizeram uma pira incendiária onde ele estava amarrado. Com calma e coragem, Policarpo foi martirizado sendo queimado vivo.
Não foi a morte que levou Policarpo à sua posição de proeminência na História da Igreja, foi seu exemplo de liderança. Uma liderança marcada por um indescritível pode de persistência. Ele permaneceu fiel à sua vocação e a seu Senhor e Mestre até o momento em que as chamas o consumiram.
Muitas vezes tendemos a achar que nossas dificuldades são maiores que a de todo mundo, que estamos destinados ao fracasso e à derrota. Mas não nos faltam exemplos de pessoas que fizeram da perseverança a sua mola propulsora para vencer. A aparente derrota de um mártir simboliza a vitória da Igreja, pois permanecer firme em seus propósitos mesmo dante da morte é a motivação que fez com que a Igreja de Cristo atravessasse os séculos, e o sangue de nossas irmãos foi a semente que fez brotar a nossa fé.
Nunca devemos assumir o rótulo que tentam nos impor como insignificantes ou incapazes, sabemos em quem cremos e quais os sonhos que ele gerou em nós. Vamos seguir em frente e assumirmos nosso lugar prometido pela Graça e misericórdia de Deus.

“Sabe, porém, isto: nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis, pois os homens serão amantes de si mesmos, avarentos, jactanciosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, irreverentes, desafeiçoados, implacáveis, caluniadores, sem domínio de si, cruéis, inimigos do bem, traidores, atrevidos, enfatuados, mais amigos dos prazeres que amigos de Deus, tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder. Foge também destes”, 2 Tm. 3:1-5.
O texto paulino exposto acima é, segundo alguns, um vislumbre do que Paulo tinha já em seus dias, que ele considerava como “os últimos”. Seja como for, o fato é que por toda a história da Igreja os homens mostraram-se relutantes à ação do Espírito Santo.
Fosse por “conversões” políticas, convenientes e interesseiras, no período da consolidação do cristianismo como religião oficial do império romano, no século IV d.C., fosse por causa da religiosidade passando de geração a geração, na Idade Média, fosse após os questionamentos da Idade Moderna, ou a extrema subjetividade da contemporaneidade, os homens sempre se mostraram relutantes à ação do Espírito. E antes que se diga que isso se dá obviamente pelo pecado, gostaria de frisar que me refiro aos da Igreja mesmo! Portanto, o texto paulino faz-se mais atual do que nunca.
Tenho sido procurado por pastores e líderes das mais diversas denominações, os quais tem constantemente solicitado ajuda para a instrução do seu povo, a partir das lideranças, pois muitos creem que só pela instrução bíblica haverá mudança. Concordo. Mas, mais ainda, creio que a dimensão do problema atual não tem sido muito bem percebida pelos pastores.
Cientes de que precisam “dar a vida por suas ovelhas”, como descreve a Bíblia sobre “o bom pastor”, estes líderes não conseguem perceber que, atualmente, as pessoas – e falo de modo geral – vivem numa época de absoluta auto-comiseração, fruto de uma geração que aprendeu a fugir das mais mínimas responsabilidades. Sabe-se que a Igreja é uma das únicas reservas morais existentes e, a despeito de todo o esforço midiático contrário, as pessoas ainda creem em pastores e os tem, geralmente, como homens sérios, respeitáveis, cuja palavra ainda vale.
E, sabendo disto, muitos se valem da índole idônea de seus líderes (refiro-me aos verdadeiros, àqueles verdadeiramente comprometidos com o Reino), e os vampirizam, com um relacionamento “líder – liderado” doentio, baseado em uma eterna cobrança inclusive do mínimo, sem dar sequer o mínimo em troca. Resultado: líderes cada vez mais enfermos.
Sei que sempre houve isto, mas, a percepção é que a situação tem se tornado cada vez mais grave. Lembro-me de uma pesquisa, há uns dez anos, que mostrava que mais de 50% dos pastores não terminavam seus dias como pastores. Uns (e não eram poucos!) abandonavam a vocação ministerial para nunca mais voltarem. Creio que o repúdio destes à condição humana de pecaminosidade indômita também se dá pela primeira característica elencada por Paulo, a Timóteo, para ilustrar os “dias difíceis”: o narcisismo.
É uma prática egocêntrica e que está no centro do egoísmo. O narcisismo não é apenas querer para si, mas amar a si mesmo, ao ponto de não se ver mais ninguém. E, se há uma característica contundente da subjetividade pós-moderna, onde todo mundo quer falar, mas muitas vezes com pouco ou nada a dizer, é o narcisismo.
A auto-deificação do indivíduo, incentivada cada vez mais pelos veículos de comunicação de massa, através de propagandas, livros com mensagens narcisistas disfarçadas de auto-ajuda e por aí vai, é um dos maiores problemas para a Igreja, pois a mensagem do Evangelho, ensinada por líderes sérios, é a renúncia pessoal, o amor ao próximo como regra e a abnegação em prol do Reino de Deus.
Nada poderia estar mais longe do espírito do nosso tempo. Se pessoas erram, na atualidade, imediatamente fazem caras feias, para que os que naturalmente as repreenderiam, seus líderes, fiquem constrangidos e frustrados, sentindo-se – pasme – até mal, por causa da necessidade às vezes de uma simples palavra de correção. O que é esta prática, se não um dos mais fortes sintomas da auto-deificação do Homem?
Minha palavra para os líderes cansados, que se sentem frágeis, vazios e desesperançados, ante uma sociedade que insiste em posicionar-se cada vez mais contrária aos preceitos do Evangelho, é que continuem fazendo seu trabalho, sabendo que o fim da labuta não se encontra no reconhecimento humano, nas palmas após uma preleção, ou em simples palavras de elogio favoráveis a determinadas posturas que se tome.
Muito mais do que isso, o fim dar-se-á na volta do “Senhor da Seara”, conforme descreve o Evangelho nas palavras de Jesus, através de algumas parábolas, nas quais ele afirma categoricamente que o “Senhor do Reino”, o “Rei”, voltará e multiplicará àquele que tem. E o que não tem, até o que tem ser-lhe-á tirado! As lutas são muitas, é verdade, difíceis e até desumanas.
Nada fere mais do que a ingratidão, e vivemos em uma era de pessoas inchadas de ingratidão. Mas, é justamente neste momento que precisamos ouvir as palavras do apóstolo Paulo a Timóteo, como sendo do próprio Deus para todos nós, que labutamos no Reino: “Tu pois, filho meu, fortifica-te na Graça que há em Cristo Jesus”, 2 Tm. 2:1.

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