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Dom, Dez

Ainda hoje muitos cristãos acham que um missionário é apenas alguém que vai para uma estação com a mala cheia, com muita fé, e se manda para outra cultura (povo) a fim de comunicar a Cristo. Para quem pensa assim, missão é uma ação que executamos, ou seja, um missionário só é missionário se estiver no que chamam de “campo missionário”. Dentro desta mesma maneira de pensar, um missionário que retorna à igreja local não tem o status do missionário que saiu, nem está mais “fazendo missão”. Essa ideia ainda está impregnada dentro de muitas igrejas e precisa ser desconstruída.


A missão não pode ser limitada em uma agenda e muito menos a um lugar. A missão deve ser em todo o tempo e em todo o lugar. Não fazemos missão; vivemos em missão. A proposta de Jesus para missão está muito mais relacionada a um estilo de vida do que uma atividade (por exemplo, uma viagem) que realizamos.


Devemos ir por todo o mundo e pregar o evangelho (“confins da terra”), mas há uma maioria que não irá, ou seja, permanecerá onde está e também pregará o evangelho (“Jerusalém”). Sendo assim, todos somos missionários, todos estamos em missão. Não é o lugar aonde vamos ou estamos que nos torna missionário, mas o chamado que enche o coração (“Grande Comissão”).
O trabalho que está sendo feito por um missionário na Síria é tão importante quanto a obra missionária que fazemos em nosso bairro, empresa, condomínio, rua, escola ou cidade. Afinal, nenhum trabalho missionário pode glorificar a Deus mais ou menos que outro. Todos o glorificam de igual modo.


Não existe mais honra em falar de Deus em uma igreja recém-plantada entre os hindus do que em uma conversa de amigos na mesa de um restaurante, pois a honra não está no lugar, mas em poder falar no nome de Jesus.


Façamos então de todos nossos caminhos uma forma de comunicar Cristo. Que todos os lugares por onde passamos sejam campos missionários. Que todo o nosso tempo seja em missão.
Abandonemos aquela ânsia de fazer missão, e vivamos em missão, seja anunciando claramente o plano de salvação bíblico, seja nos gestos do partir o pão (“Emaús”). Não se comunica Cristo só de um púlpito, ou quando abrimos (citamos) as Escrituras em uma discussão religiosa. Até mesmo porque, se só assim for, muito pouco revelamos de Jesus, pois por mais que falamos claramente do plano de salvação de Deus, o tempo (oportunidade) que temos nessas conversas é relativamente curto, se o compararmos com ao tempo que podemos revelar Cristo com nossa maneira simples e cotidiana de levar a vida cristã. Como, por exemplo, quando esperamos na fila de uma padaria, quando buscamos nossos filhos na escola, quando fazemos um negócio no trabalho, quando tratamos nossa família, quando desfrutamos de alguma forma de lazer.


Se anunciamos Cristo verbalmente, que vivamos o que pregamos e façamos tudo para a glória de Deus. Os povos ouvirão a nossa voz e validarão nosso discurso vendo a nossa forma de viver. E, vendo as nossas obras, as pessoas também serão convidadas a glorificarem a Deus.


::Alan Corrêa – Ultimato

A motivação fundamental da missão de Jesus Cristo foi a compaixão, especialmente pelos pobres. Já nos tempos do Antigo Testamento, Deus tinha se revelado como o Deus dos oprimidos, “Pai de órfãos e juiz de viúvas […] Deus faz que o solitário viva em família; liberta aqueles que estão presos em grilhões” (Sl 68.5-6). Quando passamos para o Novo Testamento, descobrimos que o Deus que se revela em Jesus Cristo é o Deus que fica do lado dos fracos, dos vulneráveis, das vítimas da injustiça. Isto vai ao encontro da definição de sua missão no seu “Manifesto de Nazaré”, segundo o Evangelho de Lucas 4.18-19. E a descrição nos Evangelhos de como levou a cabo o seu ministério mostra claramente que a sua compaixão estava orientada principalmente aos pobres, aos famintos, aos enfermos, às prostitutas, aos cegos, aos mancos, aos coxos, aos cobradores de impostos… Em síntese, estava orientada às “não pessoas” da sua sociedade.


A compaixão não é uma simples pena pelos que sofrem. É muito mais: é amor profundo, ternura, identificação com os necessitados, mas identificação que move à ação em busca de solução para os seus problemas. Como tal, exige contato pessoal com os necessitados — o tipo de contato que Jesus tinha com as multidões e fazia com que ao vê-las tivesse compaixão por elas, “porque andavam cansadas e desgarradas, como ovelhas que não têm pastor” (Mt 9.36). Em outras palavras, careciam de líderes que se ocupassem delas e lhes provessem um senso de direção com vistas a transformar a sua situação.


Como no tempo de Jesus, a missão cristã hoje se realiza em um contexto de multidões “cansadas e desgarradas, como ovelhas que não têm pastor”. Vivemos num mundo de injustiça institucionalizada. Em quase todos os países, o poder socioeconômico e político está nas mãos de uma elite totalmente indiferente às necessidades das grandes maiorias, uma elite que usa o poder para salvaguardar os seus próprios interesses. Como consequência, nas palavras de Bernardo Persbergite, “Duzentas mil pessoas, 1/35.000 da população total do mundo, são os donos atualmente […] de quase metade do PIB mundial. Em contrapartida, 50% da população mundial (3,5 bilhões de pessoas) têm apenas 1% do PIB. Esses 50% ganham menos de dois dólares por dia. Estão abaixo da linha da pobreza”.


Infelizmente, no mundo moderno, especialmente no contexto urbano, inclusive entre nós que professamos a fé cristã, com muita frequência reina a apatia para com “os párias da terra” (como os denomina Persbergite), devido à segmentação da sociedade em classes sociais. Muitos de nós, como membros da classe média, pertencemos a uma minoria privilegiada, com pouca oportunidade de intercâmbio com as pessoas pobres. O que precisamos, em primeiro lugar, é abrir os olhos para vermos os necessitados e sermos movidos a uma compaixão comparável à de Jesus.


No entanto, quando temos consciência da opressão em que vivem os setores pobres da população e desejamos nos somar àqueles que têm “fome e sede de justiça”, precisamos, em segundo lugar, reconhecer a importância de ir além da caridade. John Perkins, um afro-americano evangélico que por longos anos foi usado por Deus num ministério que encarna a compaixão de Deus manifestada em Jesus Cristo, tem muito a dizer sobre isso. Em resumo, a sua ênfase central é que as mudanças mais profundas e permanentes em âmbito pessoal e comunitário resultam do que ele denomina uma redistribuição do poder. Sob esta perspectiva, os pobres não são meros recipientes de ajuda filantrópica, mas sim participantes ativos nos processos de transformação.
Os ingredientes da missão são a palavra e a ação inspiradas pela compaixão com o poder do Espírito de Deus, que é o Espírito de Jesus Cristo.


:: C. René Padilla (Traduzido por Wagner Guimarães) – Ultimato

Janna é missionária de uma igreja protestante no Quirguistão. Cerca de um ano atrás, ela e seus dois filhos se mudaram para uma das aldeias do interior do país, com o objetivo de plantar uma Igreja naquela aldeia. 22_Quirguist_oEles foram enviados e apoiados por sua igreja local. Recentemente, eles foram ameaçados
Atualmente, Janna está liderando encontros de nove pessoas em sua casa com o objetivo de estudar a Bíblia. Durante o ano, não houve quaisquer situações negativas, mas há poucos dias, quando Janna não estava em casa, um homem desconhecido ligou e, por telefone, disse a seu filho mais velho, de 11 anos: “Diga à sua mãe que ela tem de deixar a vila e voltar para sua cidade, caso contrário, ela vai se arrepender”. Ele também disse: “Saiam daqui com o seu Deus e a sua religião, vocês não têm de nos ensinar como viver!”


Ore por Janna e seus dois filhos, pedindo pela proteção do Senhor sobre a vida deles e os cristãos que frequentam as reuniões de estudo bíblico. Por conta das ameaças, todos os participantes decidiram suspender esses encontros por algum tempo.


*Nome alterado por motivos de segurança.
:: Portas Abertas

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