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Sáb, Ago

Estava lendo provérbios esses dias, e se você já leu provérbios, sabe o quanto de referências que tem sobre a sabedoria nesse livro. O trecho falava sobre a sabedoria estar gritando, implorando, chamando as pessoas para ela, falava sobre ela estar disponível, sobre estar ali, apenas esperando que as pessoas a ouvissem.

Comecei a pensar sobre as pessoas que consideramos sábias... A sabedoria não foi até elas assim, tipo: “Oi, cheguei! Agora você é sábio!”. Em provérbios diz que a sabedoria anda junto com o conhecimento e o entendimento, logo, para adquirir sabedoria, você precisa buscar várias coisas! Precisa buscar, prestou atenção nessa palavra? Não adianta a gente ficar deitado em berço esplêndido esperando a doce chegada da sabedoria, assim como não adianta a gente ir de pouco em pouco deixando de agir de forma correta e sensata, isso apenas nos afasta da sabedoria.

Beleza! Mas como adquirir sabedoria então? Bom, o primeiro passo é o mais simples de todos. Se já é usual pra você orar será mais simples ainda, busque em Deus, peça a Deus por sabedoria! Depois disso, entra aquele lance de fazermos a nossa parte, aqui você vai precisar ler mais livros coerentes e de bom conteúdo, ler mais a Bíblia, observar as coisas a sua volta, aprender com os seus erros, aproveita pra aprender também com os erros dos outros!

Sei muito bem que listar um monte de coisa aqui enquanto digito esse texto é a mais simples das ações, que de fato fazer todas essas coisas exige mais esforço! Mas o detalhe de tudo isso é que vale a pena, vale muito a pena. Vamos levar uma vida muito melhor se aprendermos a buscar as coisas certas, se pararmos de esperar que as coisas venham até nós e tomarmos de fato uma atitude. O desafio está lançado!

Quantas pessoas conhecemos e que, lutando contra as "ondas" desta vida, estão prestes a afundar? Lutam contra as tormentas, mas as forças parecem faltar cada dia mais. Qual a nossa reação diante disso? Julgamos? Criticamos? Ou estamos prontos a lançar uma corda para ajudar?

Deus permite que estejamos em certos lugares e junto a pessoas que enfrentam tais situações exatamente porque deseja abençoar a ambos.

Quando nos aplicamos em socorrer o nosso próximo, seja qual for a circunstância, ao mesmo tempo o socorrido tem a alegria no coração ao ver a atuação do Senhor a seu favor como nós nos alegramos por saber que fomos usados pelo Senhor para glorificar o Seu nome.

Deixe a "corda" do seu amor sempre preparada. A qualquer momento você poderá usá-la para abençoar alguém.

O "politicamente correto" também tem suas versões religiosas e sua vez nos círculos evangélicos. É que há nesses contextos uma agenda que muda e "dita" o que deve estar na pauta dos pastores para se saírem bem na fita, fazerem coro com os discursos dos líderes mais relevantes, manterem as estatísticas de crescimento favorável, enfim, serem "politicamente corretos" conforme os "maiorais".

Alguns chegam até a pensar que isso seja, inclusive, profético, revelacional ou sei lá o quê. A agenda do momento, após ter passado a onda do pastor tipo empreendedor, se já notaram, é social-ideológica.

Com discursos quase como de um candidato, eles falam de comunidades, fome, políticas públicas, adicção e restauração etc. Mas isso não é bom? Seria se não fosse "politicamente correto"; se não fosse mais uma tendência de quem quer estar inserido no que funciona, dá resultados, chama a atenção, conquista o "eleitorado", reverbera na boca dos medalhões; seria se fossem pulsões espirituais em uma alma despojada, desprendida, quebrantada, que converteu-se ao pobre e ao necessitado como um chamado / vocação.

Seria se fosse uma verdade que não muda, justamente por ser eterna, supracultural e o que homem/humanidade - sempre - mais precisou.

Fico a me perguntar qual será a próxima "vibe" com seus discursos e ênfases? Pastores do tipo coaching com suas mobilizações para motivação e triunfo, do tipo psicólogo (neurocientificamente repaginado, é claro) com suas "clínicas" de antendimento pago, do tipo zen-budista com seus estilos naturalistas-contemplativos-despojados, ou ainda, os que nunca mudam (cheios de orgulho por isso) amarrados aos dogmas das tradições históricas de homens ao invés de atarem-se à simplicidade do Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo? Qual será?

Não viaje nas tendências do que o homem / igreja produz. Permaneça nas evidências do que se consumou na cruz. Simples assim!

Olho o passado com lascas de nostalgia e pontas de melancolia. Caminhos que jamais ousei trilhar hoje me parecem fáceis. O amor que soneguei por exigir coragem volta a me desafiar. Aventuras que nasceram de narcisismo e falsa onipotência reclamam explicações – como justifico para mim mesmo os delírios que me moveram? Um espinho de tristeza me espeta o coração: noto que já joguei tempo fora com projetos triunfalistas.

Não, não pretendo reconstruir o que jaz em alguma caverna do passado. Desisto de qualquer tentativa de ressuscitar o que se aquietou debaixo do lajeado da decepção. Sei, todavia, que a vida se impõe; se perder a gesta heróica me condeno a existir, apenas.

Para refazer meu compromisso com a vida, preciso abandonar o humanismo idólatra. Já não idealizo bravatas que veem de ideologias ufanistas. As instituições carregam dentro de si a semente da inutilidade. Descreio da capacidade humana de erguer-se puxando os próprios cadarços. As revoluções são utópicas e os revolucionários, ambíguos. Também, não me prostro diante do altar niilista. Meu existencialismo assume que fragilidade nunca é defeito. Não tolero pessimistas que validam o discurso de que não adianta querer transformar a realidade – eles colaboram com os poderosos a manter a injustiça e a opressão, do jeito de sempre foi. Reafirmo, porém, que a certeza que viabiliza o idealismo nasce traspassada pela suspeita; qualquer partido político, ideologia ou religião, tem que conviver com a ambiguidade humana. Todos são bons e ruins simultaneamente.

Para refazer meu compromisso com a vida, preciso me desfazer das grandes narrativas. Meu desejo de converter o mundo, agora sei, nasceu de uma cultura eurocêntrica, colonialista. Os “descobridores” foram invasores carregados de soberba. Se desconfio de projetos globais é porque não creio em uma cultura que referencia todas as outras. Não há como não ver incoerência no discurso e prática das cruzadas, dos jihads e das militâncias partidárias.

Deixo de lado os que tentam reduzir a complexidade humana ao racionalismo iluminista. Os sentimentos, tão cheios de altos e baixos, são tão importantes como a própria razão. Cismo com militantes ateus, bem como com os soldados da cruz. Rio ao ouvir ufanismo institucional. Esse meu desapego é jeito de sobreviver ao messianismo. Se um dia abriguei algum Titã, não o aceito mais – ele me deixava com a sensação de ser semideus.

Para refazer meu compromisso com a vida, preciso desistir de tentar levar a ferro e fogo o que posso considerar imprescindível. Devo fazer as pazes com os erros. Difícil admitir, mas alguns tropeções me fizeram bem. Transgressões me deixaram cioso da força da maldade. Me construí como uma equação, lotado de sinais negativos e positivos. Pequei movido também por boas intenções. Minha vida aconteceu na mistura de sombras e luzes. Se amigos me entristeceram, desconhecidos me acolheram. Paradoxalmente, estranhei gente querida e fui leniente com o estrangeiro. Pequei sempre que rechacei o diferente sem sequer conhecê-lo. Houve momentos em que planejei grandes empreitadas e empaquei. Surpreendido pela vida, triunfei sem planejar. Paguei caro pela indolência. E, incrível, algumas vezes, foi bom para mim postergar o inadiável para o dia seguinte.

Para refazer meu compromisso com a vida, preciso me manter leve como a pluma que escapou da asa do cisne, denso como o ruço da madrugada, escuro como a noite sem lua e transparente como o mar caribenho. Pretendo rearrumar a oratória. Ainda hei de aprender a não despejar clichês em auditórios sequiosos por sentido. Ao discursar, almejo enfatizar mais a ternura do que a força do argumento. Anseio saber entrecortar frases com longas pausas, como fazem os poetas da nostalgia. Anelo me manter brando diante do odioso. Quero aprender, com os monges, a preservar o lugar da solitude como espaço sagrado.

Para refazer meu compromisso com a vida, preciso envelhecer sem zanga. Devo ritualizar os raros instantes do meu futuro, que se abrevia. Quero celebrar cada manhã como uma ressurreição. Prometo aguardar o pôr-do-sol como a grávida anseia o primeiro choro do filho recém nascido.

Refaço o meu compromisso com a vida. Desejo me manter plácido como um lago entre duas montanhas. No derradeiro dia, espero fechar os olhos sem qualquer nesga de frustração e encarar o sábado final com um sorriso maroto; sorriso de quem partiu dizendo: valeu viver.

A frase acima faz parte do início do refrão do velho hino, que você já cantou e canta com todo fervor nos cultos da igreja. O cabo da nau não pode mesmo ficar para sempre preso. Mas, por outro lado, não se deve soltá-lo de uma hora para outra.

Está dito na Bíblia que existe um tempo certo para tudo. Existe um tempo certo para amarrar o cabo da nau e existe um tempo certo para soltar o cabo da nau. Mas não é todo mundo que se liga nessa questão do tempo certo, sabia?.

Júlio, o oficial de Roma, não se ligou. Ele soltou o cabo da nau no tempo errado, tempo de ventos fortes e ondas bravias. E não foi por falta de aviso. Paulo o alertou sobre os riscos, mas o alerta foi ignorado (At 27:10-11). Deu no que deu: perdeu a nau e toda a carga que nela havia.

Aqui está uma coisa que a gente precisa aprender: a hora certa de soltar o cabo da nau. Todo mundo sabe que a nau foi feita para o mar e não para a orla dele. Mas nem sempre ficar com a nau na orla é perda de tempo. É ganho.

Assim sendo, pare de espernear, ficar bravo e dar de ombros para todos que o exortam a não soltar o cabo da nau agora. Saiba: a hora de soltá-lo vai chegar. Mas, por favor, para o seu bem e para o bem de todos que estão com você, não tente apressar as coisas. Muita calma nessa hora.

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