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Sáb, Ago

03 de fevereiro de 2017

Leitura Bíblica: Gênesis 32.22-28

Também lhe darei uma pedra branca com um novo nome nela inscrito (Ap 2.17b).

Você sabe o significado do seu nome? Hoje, em nossa cultura, a escolha do nome dos filhos não costuma ser feita por seu significado, mas por sua beleza. Na cultura judaica isso é diferente. Os pais davam aos filhos nomes que simbolizassem algo que estavam vivendo. Jabez significa “sofrimento”, pois sua mãe sentiu muitas dores no parto (1Cr 4.9). Isaque significa “riso”, pois sua mãe, Sara, riu quando Deus cumpriu sua promessa de lhe dar um filho (Gn 21.6). Com Esaú e Jacó não foi diferente. O primeiro filho de Isaque e Rebeca foi chamado Esaú por ser muito peludo desde o nascimento (Gn 25.25). Jacó, por sua vez, recebeu este nome por ter nascido com a mão agarrada no calcanhar do irmão (Gn 25.26), significando “traiçoeiro”.

Na leitura de hoje vemos que, quando Jacó lutou com aquele desconhecido, foi-lhe perguntado seu nome. Responder equivalia a uma confissão: sou um enganador. Logo em seguida, Jacó percebeu que estava face a face com Deus. O que vemos aqui é uma bela cena de transformação de um homem quando está na presença do Senhor. Naquele momento Jacó recebeu um novo nome: Israel, que significa “Deus luta”.

Seu nome pode não significar enganador, ou incrédulo, ou mentiroso. Mas com certeza existem coisas em você que devem ser mudadas. Deus deseja transformar sua vida, tirar de você aquilo que não o agrada e lhe dar uma nova história. Provavelmente você tem mantido em segredo sua real identidade, aquilo que você de fato é. Mas para que você seja transformado e receba um “novo nome”, é preciso confessar-se a Deus. A Bíblia nos diz que, se confessarmos os nossos pecados, Deus nos purificará (1Jo 1.9). E não é possível uma purificação em que as impurezas continuem presentes. Não tenha medo da mudança que Deus vai operar. – BB

Deus pode mudar seu coração e lhe dar um novo caráter.

Há uma grande diferença entre amar toda a criação de Deus e amar “este século” (ou ao “mundo”, palavra que ainda nos causa confusão). Defino aqui mundo como a produção humana e seu conjunto de experiências que acabam tornando a vida uma loucura, sem espaço para Deus; uma autossuficiência idólatra onde as pessoas agem como se elas fossem deuses, criando um sistema de vida viciado na busca pelo prazer individual e no pleno exercício da ganância; o humanismo secular.

Logo, alguns concluem que devemos nos proteger de toda essa mazela mundana. A implementação disso seria, portanto, viver em uma comunidade isolada e cujo centro é a estrutura eclesial. Criaríamos um gueto alternativo que se exime dos processos da vida social, à margem dos espaços públicos de construção e manutenção, visto que são estruturas possuídas pelo maligno e se envolver implicaria em apaixonar-se por elas, em se misturar com o profano. Sem falar na perda de tempo em tratar de assuntos que não os levaria a um encontro com o “divino”. Outra consequência seria o esmagamento das culturas, a demonização das expressões artísticas e o empobrecimento intelectual. O que resta é uma espiritualização mística doentia fruto de uma polarização platônica e maniqueísta, onde tudo que de louvável existe está no metafísico.

Tudo isso não passa de um grande equívoco. O medo da vã paixão não pode paralisar o amor pela criação de Deus, nem deve ser desculpa para nos eximirmos de nossa co-responsabilidade na redenção de todas as coisas. O verdadeiro amor é capaz de nos mobilizar para superar o medo e seguir adiante, exercendo nossa mui santa vocação cristã: a de transformar a sociedade.

Lutamos pela transformação da sociedade não porque estamos apaixonados por este mundo, mas porque o cidadão do Reino deve provocar uma influência benéfica natural no lugar onde está. Faz parte de quem o cristão é agir de forma construtiva, sinalizar o Reino e a esperança através do amor. A misericórdia ativa e globalizada está no “DNA” dos filhos de Deus.

Somos tentados diariamente a agir como Demas (2 Tm 4.10), a abandonar o front, esquecer da realidade futura do Reino. Esquecemos que há um lugar preparado para nós ao qual nenhum lugar se compara e que nenhum homem é capaz de conjecturar. Somos tentados a esquecer que as estruturas deste mundo devem ser transformadas porque são más, que sua aparente beleza e autossuficiência não passam de engano mortal.

Nosso lugar não é na fuga alienante da realidade, mas também não é na paixão por ela (ou na suposta possibilidade de viver uma vida maravilhosa distante de Deus), mas na intervenção transformadora, cumprindo o propósito para qual fomos criados, que é caminhar com o Mestre fazendo boas obras de misericórdia.

Não amar este século não quer dizer renunciar à felicidade, tampouco deixar de apreciar o que é belo nesta terra, mas saber admirar a criação sem se deixar dominar por ela. Aproveitar cada segundo desta vida olhando através das lentes do próprio Criador e estar pronto para deixá-la quando Ele assim o quiser. A espiritualidade cristã consiste em humildemente amar a si e amar toda criação de Deus, sem a pretensão de ofuscar o brilho da glória de Deus, de onde emanam todas as coisas realmente belas.

A missão integral é a missão do reino de Deus. O que isto significa? Vejamos. Na verdade, nenhuma definição esgota o sentido do que o reino de Deus é. Toda definição é, até certo ponto, inadequada. No Novo Testamento, fala-se muito sobre esse reino, mas ele nunca é definido. Ao contrário, é descrito por meio de parábolas, epítetos, metáforas ou símiles. Assim, por exemplo, diz-se que o reino de Deus é como uma pérola preciosa, uma grande pesca, um tesouro escondido, fermento que faz crescer a massa. Afinal de contas, o que é o reino de Deus?

Quando Jesus começa o seu ministério, ele o faz dizendo: “O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo. Arrependei-vos, e crede no evangelho” (Mc 1.15). Ou seja, chegou o tempo marcado no calendário de Deus, o kairós. Há um tempo cronológico (kronos), e um tempo de Deus, oportuno e preciso segundo o propósito que ele tem para a humanidade. O que Jesus anuncia é que chegou o kairos, o tempo esperado ansiosamente por aqueles que anelam a ação transformadora de Deus.

Os judeus que escutaram inicialmente esta mensagem tinham um conceito linear do tempo: você olhava para o passado, para o anúncio profético de “novos céus e nova terra” e da instauração de uma sociedade de paz (Shalom), de amor, justiça e plenitude de vida. Ao mesmo tempo, olhavam para a frente, para o cumprimento das promessas de Deus. Em épocas de crise, a esperança judaica era avivada, e esperavam o fim dos tempos e a intervenção soberana de Deus para cumprir as suas promessas. Nesse contexto, Jesus de Nazaré aparece e anuncia: “O tempo foi cumprido, a Nova Era foi iniciada, o reino de Deus está próximo e é possível tocá-lo: fez-se presente, está próximo; com efeito, está em nosso meio”.

Para uma melhor compreensão do anúncio de Jesus é necessário distinguir entre a soberania universal de Deus e o reino de Deus. A soberania de Deus se estende sobre todas as nações da terra – não só sobre a nação de Israel –, e sua ação salvífica, a Israel, o qual é escolhido como o povo de Deus, não por ser uma nação grande e poderosa, mas sim pela graça (o amor não merecido) e pela misericórdia de Deus. Falar em reino de Deus, no entanto, não é falar só da sua soberania universal em especial, mas também de uma nova realidade que se fez presente na história por meio da pessoa e obra de Jesus Cristo.

Quando Jesus anuncia a chegada do reino de Deus, suscita-se uma acalorada controvérsia. Os fariseus lhe perguntam quando tal reino virá. A resposta de Jesus é clara: “O reino de Deus não vem com aparência exterior. Nem dirão: Ei-lo aqui, ou: Ei-lo ali; porque eis que o reino de Deus está entre vós” (Lc 17.20-21). Em outras palavras, há certas condições necessárias para ver o reino de Deus: a sua presença é visível apenas aos olhos da fé. A razão pela qual os fariseus, como outros líderes religiosos e políticos do povo de Israel, não percebem a presença do reino de Deus é que, por causa dos seus preconceitos, não estão dispostos a admitir a manifestação do reino de Deus na pessoa e obra de Jesus Cristo.

No tempo de Jesus, evangelizar era anunciar uma boa notícia relativa a um acontecimento público; por exemplo, o triunfo em uma batalha, o nascimento de um príncipe ou a coroação de um rei. Em nosso tempo, evangelizar é falar de religião ou algum tema religioso. Jesus anunciou a boa nova: o reino de Deus se fez presente na história. Deus está cumprindo a sua promessa de restauração da sua criação, incluindo a humanidade. Para tal efeito, o seu reino se fez presente na pessoa e obra do seu Filho Jesus Cristo. A missão da Igreja é integral uma vez que tem como propósito prolongar a missão de Jesus Cristo como missão do reino ao longo da história.

“Ele nos capacitou para sermos ministros de uma nova aliança, não da letra, mas do Espírito; pois a letra mata, mas o Espírito vivifica” (2 Coríntios 3.6). Ao conversar essa semana com uma pessoa a respeito de lermos mais a Bíblia, ouvi a seguinte frase: “Não me dedico à leitura da Bíblia, porque, você sabe, a letra mata, mas o Espírito vivifica”. Num primeiro momento fiquei calado, pois achei que a pessoa estava brincando, mas ao perceber que era essa a interpretação que ela dava ao texto, resolvi ajudá-la a interpretar melhor essa passagem.

Se seguirmos o texto acima, perceberemos que o autor de Coríntios fala a respeito de letras em pedra e cita Moisés. E são essas letras escritas na pedra que matam, ou seja, a lei. Uma melhor tradução seria a lei mata, mas o Espírito vivifica. Mas, por que a lei mata?

Muitas vezes somos tentados a ler os 10 mandamentos (letra escrita na pedra) sem saber o que acontece com quem não cumprir os mandamentos. Os 10 mandamentos podem ser encontrados em Êxodo 20 e Deuteronômio 5. Em Êxodo 20.3 encontramos o primeiro mandamento que é não ter outros deuses além de Deus e a punição para quem não cumprir esse mandamento é a morte (Dt 13.6-10).

O segundo mandamento é não fazer imagem (v. 4) e a punição para quem não cumprir é a morte (Êx 32.23-28). O terceiro mandamento é não tomar o nome de Deus em vão (v. 7) e a punição para quem não cumprir é a morte (Lv 24.11-14). O quarto mandamento é guardar o sábado (v. 8) e a punição para quem não cumprir é a morte (Nm 15.32-35). O quinto mandamento é honrar pai e mãe (v. 12) e a punição é a morte (Dt 21.18-21). O sexto mandamento é não matar (v. 13) e a punição é a morte (Ex 21.12). O sétimo mandamento é não adulterar (v.14) e a punição é a morte (Lv 20.10). O oitavo mandamento é não furtar (v. 15) e a punição é a morte (Ex 22.2). O nono mandamento é não dar falso testemunho (v. 16) e a punição é a morte (Dt 19.16-19). O décimo mandamento é não cobiçar (v. 17), porém, para esse pecado, num primeiro momento, não há punição de morte, mas esse pecado
pode gerar um dos nove pecados anteriores. Por isso, Jesus disse que só de pensar já cometeu pecado (Mt 5.28).

É por isso que o apóstolo Paulo disse que a letra, ou seja, a lei mata. Porque a consequência para quem fosse flagrado descumprindo a lei era a morte. A Bíblia não pode se contradizer. Como pode o Salmo 1 falar que o nosso prazer é meditar na lei do Senhor de dia e de noite (v. 2) e o texto acima dizer que o conhecimento mata? A resposta para tal pergunta é exatamente a interpretação errada desse texto.

Para quem prefere continuar interpretando o texto de forma equivocada faço os seguintes questionamentos: será que se eu chegar para um engenheiro ou um médico ou ainda um advogado e disser que o conhecimento pode torná-lo um péssimo profissional, ele concordará comigo?

O que esses profissionais ganham ao aprender mais? Por que as empresas dão cursos para seus funcionários ou os estimulam a estudar? O que essas empresas ganham com isso? O que ganharemos se lermos mais a Bíblia? Lembre-se, Jesus disse que se conhecermos a verdade, ela nos libertará (Jo 8.32). E a maneira de O conhecermos é lendo a Bíblia. Conhecimento não é transmitido por osmose, mas, como dizia o lema de Calvino, era necessário oração e trabalho (Orare et Labutare).

Essa semana quero lhe desafiar a meditar na lei do Senhor todos os dias. Que o lema da reforma venha ser nossa prática, orare et labutare. Afinal, o mesmo Paulo que escreveu o texto acima também disse que a lei é santa, justa e boa (Rm 7.12). Que o Senhor abençoe sua semana prazerosa
de leitura bíblica.

São muitas as dores do mundo, e elas parecem sugar nossa força de modo que beiramos o esgotamento. E aí, propor refletir sobre elas parece demais, pois seria mais cansaço para um debilitado. A tendência é entregarmos os pontos nesse jogo cruel ou jogarmos a toalha nessa luta constante. Mais fácil é sermos tragados pelas faltas, sem preenchimento de sentidos. A sensação de que nada tapa alguns buracos existenciais desanima muitos que já veem perspectivas estreitas no seu dia a dia.


Alguns param, desistem e são consumidos por angústias inomináveis no momento. Outros vivem no automático. Da casa para o trabalho, do garfo à boca, da academia para o encontro com colegas, da sala de aula para a cama, mas é só. Um esforço para manter um desempenho social. Afinal, a vida nos palcos digitais exige espetáculo, as redes sociais fisgaram nosso tempo congelando nosso sorriso, e os cliques não podem parar.


Ameaçados pelo fracasso remamos neste oceano do sucesso, que promete tempestades à vista. Nossa embarcação parece tão miúda frente a imensidão do mar! Na meteorologia interior o tempo está nublado, sujeito a trovoadas. Mas a viagem precisa prosseguir, mesmo que não se saiba bem o destino ou se perceba à deriva. Ventos que nos carreguem! Resta-nos torcer pelo menos pior. Sobrevivência. Ao menos, coisas estão acontecendo…


Nesse ritmo cria-se intervalos de frenesi. Em algum lugar é preciso liberar um tanto dessa aflição, a sensação é que se permanecermos entalados a implosão se dará a qualquer instante. Então, escapadas ilegais são consentidas. Vive-se aventuras errantes, um descarrego fundamental. Ignora-se a culpa e faz-se as pazes com “pequenas transgressões”. Cada vez se incomoda menos, e é integrado a uma suposta normalidade, uma frequência maior, comum, sem crises, apenas dependências. Por que não?


Além do mais a indústria farmacêutica está a nosso favor. Desenvolve-se para nos servir. Portanto, abusos podem aumentar. Testes cotidianos para ver até onde aguentamos.
Lugar para espiritualidade? Nem sempre, mas cabe como espaço da vida no automático. Ou ainda, como memória remota num alento em frestas de esperança a serem resgatadas.
“Duvidaram de Deus, dizendo: ‘Poderá Deus preparar uma mesa no deserto?‘” (Sl 78.19).


Famintos, mas desconfiados. É tanta frustração e cansaço que esperar algo bom no deserto seria demais, pouco provável. O cativeiro ao menos é conhecido. A ansiedade já é familiar, nada de criar novas expectativas. Nada como uma cova onde eu já me sinto quase confortável. A esperança foi enterrada antes da gente.


A fé na dor é maior que qualquer fé no amor. Uma geração comprometida, que faz mera manutenção da existência, e não mais considera uma mesa no deserto. A realidade do deserto é sofreguidão, escassez, adaptações às desgraças. Acreditar numa intervenção divina? Milagres são miragens.


E uma revolta cresce no coração de alguns, enquanto outros, amorfos, se ajeitam na cama-caixão. “Não creram em Deus nem confiaram no seu poder salvador” (Sl 78.22).


O que a fé, a esperança e o amor poderiam fazer?


Não existem apenas esses grupos de pessoas, onde o trágico predomina. Há mais alguns que se deixaram penetrar por fé, amor e esperança. Contrapondo ao relato do salmista quanto àquela gente desconfiada, o apóstolo Paulo conta de uma outra gente que vive diferente: “Lembramos continuamente, diante de nosso Deus e Pai, que vocês têm demostrado: o trabalho que resulta da fé, o esforço motivado pelo amor e a perseverança proveniente da esperança em nosso Senhor Jesus Cristo” (I Ts 1.3). Aqui tem trabalho, esforço, luta, dificuldades que requerem perseverança, mas há uma relação de confiança, fé nutrida mesmo no deserto, o amor como combustível, nutriente fundamental, e esperança numa pessoa – Deus feito gente, Jesus Cristo.


:: Taís Machado [Ultimato]

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